
«Como criar uma relação duradoura com os consumidores
As empresas despendem cada vez mais tempo a tentar fidelizar os clientes. A evolução da relação cliente/marca tem vindo a ser associada à analogia: sedução, namoro e casamento. De uma forma geral, a ideia é captar primeiro uma parte dos negócios do cliente (sedução), depois tornar-se na marca preferida (namoro) e, por último, converter-se na única marca (casamento). Uma aproximação que se baseia em proporcionar experiências e tocar nas emoções dos consumidores. À semelhança do que acontece no casamento, as emoções estão perigosamente próximas do contexto das relações empresariais. Existe uma grande dimensão emocional que revolve à volta do conceito de confiança. Mas o consumidor também gosta de ter opções para explorar e mudar, se necessário. São nestes negócios casuais que os marketeers podem ganhar ou fidelizar potenciais clientes
As empresas despendem cada vez mais tempo a tentar fidelizar os clientes. A evolução da relação cliente/marca tem vindo a ser associada à analogia: sedução, namoro e casamento. De uma forma geral, a ideia é captar primeiro uma parte dos negócios do cliente (sedução), depois tornar-se na marca preferida (namoro) e, por último, converter-se na única marca (casamento). Uma aproximação que se baseia em proporcionar experiências e tocar nas emoções dos consumidores. À semelhança do que acontece no casamento, as emoções estão perigosamente próximas do contexto das relações empresariais. Existe uma grande dimensão emocional que revolve à volta do conceito de confiança. Mas o consumidor também gosta de ter opções para explorar e mudar, se necessário. São nestes negócios casuais que os marketeers podem ganhar ou fidelizar potenciais clientes
Por: Maria João Vieira Pinto , Jan Hofmeyr e Larry A. Crosby»
-in Marketeer, edição de Setembro de 2008
A publicidade, qual propaganda da era contemporânea, é um dos pilares do capitalismo moderno e fonte principal da sociedade consumista, manipulando os comportamentos sociais de modo a criar padrões de aceitação entre individuos através dos produtos que um consome e ostenta.
Devido à produção constante destes mesmos produtos, deixar que a sociedade aproveitasse a total durabilidade destes seria condenar grande parte das indústrias já que os lucros ganhos num momento mais cedo ou mais tarde desapareceriam e a falência iria bater à porta no momento seguinte. Daí a necessidade de criar novas necessidades todos os instantes em que surgem novos produtos e a publicidade é a arma por excelência no estimular do comportamento consumista.

-Thorstein Veblen
O primeiro texto que citei (no topo do post) refere-se a um artigo da revista Marketeer, um magazine mensal cuja população-alvo de consumo são os profissionais de marketing e da publicidade e o artigo em questão fala de como tornar o comum do humano num consumidor inveterado, mas só a uma marca específica - num objecto de consumo específico.
O texto faz a analogia das relações marca-consumidor com as relações amorosas pessoais, procurando os peritos de publicidade elevar o consumo a um aspecto tão primal e libidinoso da nossa vida como a relação existente entre duas pessoas e caso o consumidor falhe na sua lealdade à marca, ao trocá-la por outra ou por pura abstinência de consumo, este sinta as consequências dessa liberdade ao nível do remorso.
Vincular emocionalmente o indíviduo ao consumo de uma marca é criar uma ligação abstracta e inútil à liberdade de pensamento e de acção do indíviduo, impondo-lhe comportamentos que não partem da sua iniciativa pessoal, senão da implantação duradoura dessas condutas através do bombardeamento publicitário que experimentamos desde que viemos ao mundo.
A concluir este post sobre consumo, liberdade e indivíduo deixo aqui um texto da autoria de José Vítor Malheiros, na edição do Público de 30/09/08, que fala precisamente deste tópico.
«Lavagem ao cérebro no banco de trás
Quando nos sentamos, o ecrã fica pertinho dos nossos olhos a dois palmos apenas. Mesmo quando não há ecrã, o campo visual à nossa frente já não oferece grande abertura, com os encostos de cabeça, o retrovisor, o taxímetro, o ecrã do GPS e os vários autocolantes no vidro, mas sempre é possível ir espreitando peo meio de tudo isso através do pára-brisas e ver as ruas por onde seguimos. Com o ecrã que está nas costas do encosto da cabeça do assento da frente torna-se impossível olhar em frente para outra coisa que não seja...o ecrã. O olhar é desviado sem apelo. A alternativa é torcer o pescoço e espreitar pela janela, mas o movimento colorido no ecrã, na margem do nosso campo visual, continua a atrair inevitavelmente o olhar. O resultado podem ser náuseas, quando se continua a tentar olhar para a janela, ou um estado de hipnoestrabismo, se se ceder à atracção do ecrã. E, em quaisquer dos casos, uma enorma irritação. Não nos esqueçamos que estamos a pagar ao ritmo do taxímetro pelo tempo que dura a lavagem ao cérebro.
O ecrã serve para mostrar publicidade e foi inventado por um génio do marketing - talvez mais do que um, uma ideia tão boa pode não ter sido concebida por um único génio - para tentar atingir aquele Santo Graal que consiste em ter todos os ciddãos do planeta a ser alvo de publicidade 24 horas por dia, sem intervalos para pensar ou agir autonomamente. Acontece que havia este slot totalmente desperdiçado: o tempo que as pessoas passam nos táxis, às vezes a olhar pela janela feitas parvas, por vezes a folhear o jornal, outras vezes sa falar com o taxista ou em ocupações igualmente improdutivas. E havia aqueles encostos de cabeça inúteis. O nosso génio lembrou-se de que era possível "acrescentar-lhes valor" com uns ecrãzinhos de televisão onde será possível exibir anúncios.
Os argumentos a favor são os habituais: a publicidade permite que o consumidor faça escolhas conscientes e informadas. Como a publicidade é excelente para as empresas e como o que é bom para as empresas é bom para todos nós, é evidente que estes ecrãs são bons para nós. E a prova final de que estes ecrãs são óptimos é que até são usados nos Estados Unidos.
É verdade que estes televisores têm o inconveniente de acrescentar mais um pouco de ruído ao ambiente já de si acusticamente agressivo dos táxis, onde ao barulho do trânsito se somam o rádio da central, a telefonia e o ocasional telefonema respondido aos berros, mas o que é isso ao pé do benefício civilizacional da publicidade?
Os ecrãs por enqunto ainda não têm anúncios e só "conteúdos" - curiosidades, informações turísticas -, mas um dia, se deus quiser, estarão cheios de anúncios. É só esperar que os anunciantes se dêem conta de como os ecrãs acrescentam valor aos encostos de cabeça e aos próprios táxis (e, por que não dizê-lo, aos próprios utentes dos táxis).
Como a desfaçatez dos gurus de marketing não tem limite quando espreita a possibilidade de ganhar um euro, não vale a pena esperar daí razoabilidade. E como a acção reguladora do Estado também não prima pela defesa dos cidadãos, o melhor será dar a mais este atentado à escassa liberdade que o quotidiano nos permite a resposta do mercado: não comprar.
Pelo meu lado, passarei a pedir ao telefone táxis sem TV e, se apanhar algum na rua, pedirei de imediato ao motorista para o desligar. Se todos fizessem assimm talvez os publicitários percebessem que não têm direito de nos roubar a calma, o direito a divagar, a reflectir, a não fazer nada, a andar na cidade sem mensagens comerciais a entrar-nos pela cara dentro e que o nosso tempo e o nosso olhar são nossos e não deles.»
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