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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mundo Ocidental, Farsa Ocidental, Estupidez do Capital


E os premiados foram um senhor que acredita que a China devia voltar a ser uma colónia ocidental durante 300 anos até se tornar «uma sociedade decente», um escritor que se candidatou a presidência do seu país com um projecto neoliberal e três economistas que edificaram uma teoria económica baseada nas mesmas ideias que nos levaram à crise actual.

Estamos falados.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Os coveiros da sua própria mentira



Com o anúncio do terceiro PEC o país entra na onda de austeridade brutal que tem corrido a Europa desde o início da crise.

Após a ajuda bilionária prestada à banca sem qualquer hesitação ou preocupações com o futuro impacto nas contas públicas, eis que a dívida bate à porta reclamar o seu pagamento e os governos querem liquidá-la sacrificando os direitos sociais, laborais e os serviços públicos. O chamado Estado Social.

O Estado Social foi uma conquista da luta dos trabalhadores mas igualmente um instrumento da Burguesia para refrear a caminhada da classe dos produtores em direcção a um sistema socialista que garantisse o triunfo do Trabalho sobre o Capital e todas as forças reaccionárias.

A derrota do Socialismo na Europa de Leste e o enfraquecimento das organizações reivindicativas dos trabalhadores devido à globalização capitalista foi o toque de partida para o desmantelar progressivo do Estado Social.

As antigas pátrias socialistas viram o seu património, indústria e serviços públicos serem desmantelados e vendidos a preços da chuva ao Capital e a indígenas oportunistas em terapias de choque que condenaram os povos à pobreza, os trabalhadores à exploração e as nações à subserviência ao Capital.

Já onde o Estado Social tinha criado raízes históricas, nomeadamente nos países europeus deste lado da "cortina de ferro", foi-se impondo o Capitalismo total aos poucos através de privatizações dos sectores empresariais estatais. Privatizações essas que muitas vezes eram levadas a cabo por partidos com palavreado de esquerda mas com historial de ligação ao Capital e que pela sua aura progressista perante o eleitorado eram os agentes ideais para desmantelar as conquistas dos trabalhadores.

O enredo do que se seguiu até aos dias de hoje foi simples. Entregando ao Mercado as principais fontes de receita pública passou-se ao estrangulamento financeiro dos serviços públicos e começava o início da privatização de serviços essenciais à população como a Saúde e Educação com as malogradas parcerias público-privadas onde o Estado se afundava com os custos dos projectos enquanto os lucros eram arrecadados pelos privados.

Com a crise e a histeria que quis justificar a entrega de milhares de milhões do erário público à banca entrou-se num processo vertiginoso da destruição do Estado Social e as forças políticas que antes geriam pausadamente o fim dos direitos sociais viram reforçadas as suas posições de executores da agenda dos Mercados.

Agora só falta a estes comissários políticos da Burguesia liquidar os direitos laborais e os seus ataques aos interesses populares continuarão com o reforço do aparelho securitário do Estado e a descaracterização das leis eleitorais democráticas e pacotes fiscais garantindo desse modo que a democracia liberal assuma todo o seu "esplendor", ou seja, o rapto de todos os aspectos da vida social e económica pelo Mercado e as suas excrescências burocráticas.

O rumo político da "esquerda" que manuseou e abusou do Estado Social é dos mais curiosos mas segue uma coerência atroz. Desde os brados inflamados saídos do Maio de 68 até ao "patriótico" apelo de sacrifício para salvar as contas públicas, passando pela "defesa" da democracia em laivos anti-comunistas, a estratégia essencial destas forças políticas "bem-pensantes" foi manter o controlo dos sectores estratégicos da economia e do aparelho estatal pela Burguesia, para que num momento de fragilidade do movimento operário e comunista internacional, como o actual, se passasse à rápida ofensiva aos direitos conquistados após décadas de luta dos trabalhadores.

Perante este cenário, escusado será dizer que a Luta dos povos e da classe trabalhadora é o único caminho a seguir, mas há que ser paciente e resoluto nas convicções pois só a intensidade duradoura das reivindicações populares poderá determinar a dinâmica do devir da História e quem sabe se numa futura jornada de luta europeia ou greve geral não se desencadeie o processo histórico em que por fim, como canta Labordeta, «haverá um dia em que todos, ao levantar a vista, veremos uma terra que ponha Liberdade».

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Quem dá as respostas difíceis e quem as evita


Os últimos dias têm sido proveitosos em notícias anunciando o aumento da probabilidade de intervenção do FMI em Portugal.

As reacções de Manuel Alegre e Cavaco Silva pautam pelo mesmo tom. Afirmam que Portugal não "precisa" do FMI. Uma expressão inteligente para evitar o que não admitem poder aceitar no futuro.

Só um candidato afirma desde já a sua posição sobre o assunto. Francisco Lopes renega a ingerência do FMI e afirma que "o povo e o Estado português têm todo o direito de defender os seus interesses e de definir uma estratégia própria de desenvolvimento, que responda não às necessidades das multinacionais e dos grupos económicos, mas sim às necessidades nacionais e interesses dos trabalhadores e do povo português".

A cada momento de aperto ao povo e aos trabalhadores portugueses, Francisco Lopes não esconde-se por detrás de respostas ambíguas. Antes afirma um projecto de defesa dos interesses populares e nacionais.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A caminhar a largos passos



O aviso do camarada do PCV, Carolus Wimmer, sobre um golpe de estado oculto na administração estado-unidense mostra-nos que esta superpotência poderá estar a seguir o mesmo caminho dos regimes mais tenebrosos que se estabeleceram na História.

Quem estudar a implantação do nazismo na Alemanha, o fascismo na Itália ou no Japão irá reparar que os ingredientes para a formação destas ditaduras foram uma forte promiscuidade entre o aparelho militar, o complexo industrial e o Estado, mesclados num nacionalismo acérrimo acicatado por uma crise económico-financeira que espalhava a miséria pelo povo e fez tremer os interesses da Burguesia.

Ainda é cedo para saber para onde se dirige a América, mas o seu acentuado declínio como Império e o surgimento do movimento de extrema-direita Tea Party não augura nada de positivo, num país, que como vemos no vídeo, vemos o desemprego e as más condições de vida espalharem-se como um vírus necrosante.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

E o óbvio...


...acontece. A Grécia afunda-se com as medidas de austeridade impostas pela UE e pelo FMI. Empresas fecham, receitas de impostos estão a cair, em alguns locais o desemprego é de 70%, trabalhadores frustrados ameaçam voltar à greve, os gregos estão a perder poder de compra (que está ao mesmo nível de 1984) e consequentemente o consumo está a cair a pique, o número de bancarrotas sobe, tal como o desemprego, cujos números oficiais apontam para 14,3% em 2011, embora 20% seja um número mais realista, o PIB do país reduziu-se em 1,5%.

Não fossem os media e os círculos académicos estarem infectados pela mitologia liberal ou o simples enviesamento ideológico e todos saberiam que as "purgas" económicas só dão em pobreza crescente.

domingo, 18 de julho de 2010

Notícias de um regime decadente

- As autoridades estado-unidenses encerraram a Blogetery, um servidor de blogues. Ao todo, foram abaixo 73 mil blogues. A justificação dada para esta acção é o «historial de abusos».

- O número de suicídios no exército estado-unidense atingiu um número recorde este mês. 32 soldados preferiram tomar a própria vida a continuar em combate.

- A pobreza nos EUA aumentou em todos os parâmetros. 15 milhões estão desempregados, em algumas cidades o número de desalojados cresceu em 50% e 38 milhões recebem senhas para alimentação.

- Os EUA financiam a imprensa e sites anti-chávez na Venezuela; mobilizam imensa frota naval em direcção à Costa-Rica para "combater o narco-tráfico"; roubou 65 biliões de dólares à economia norte coreana à conta de um embargo e vai ter acesso aos dados bancários dos cidadãos da União Europeia após aprovação de do Parlamento Europeu.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Zé Pagante em Wall Street

À medida que a Moody's vai ameaçando que a notificação da dívida portuguesa pode baixar, surgem os pavores e medos dos "Mercados", esses deuses nebulosos sem cara e escondidos por detrás do nevoeiro da "economia".

Tais medos e pavores em Portugal estão a provocar pulos de alegria nos "States", com o investimento crescente nos títulos de dívida estado-unidense. «A Wall Street vê a dívida dos EUA como um investimento atractivo à luz da instabilidade económica noutros países».

Boa! Não basta termos de aturar o PEC do Sócrates, o neoliberalismo da UE, também temos de encher os bolsos rotos da finança falida dos EUA.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Um Império não tem aliados, apenas servos

Com a instabilidade financeira na Zona Euro, os "investidores" estão a colocar o seu dinheiro no Dólar e no Iene. De relembrar que os EUA têm um défice que ascende aos 12 triliões de dólares. O refinanciamento está a começar, desta vez à conta dos "aliados" europeus.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

PCP sobre a crise: «PS e PSD cedem à especulação e avançam com mais sacrifícios»

«Em declarações à rádio Comunic, Vasco Cardoso, da comissão política do Comité Central denunciou o aproveitamento que PS e PSD estão a realizar da operação contra os interesses nacionais lançada a partir da agências de notação que estão ao serviço do grande capital e, ao mesmo tempo que exigiu uma enérgica tomada de posição do Estado português para que se ponha fim a este verdadeiro assalto aos recursos nacionais, apelou à intensificação da luta contra o PEC e a política de direita.

Em vez de uma enérgica rejeição à operação especulativa que está a ser lançada sobre o nosso país por parte das chamadas agências de notação ao serviço do grande capital transnacional e das grandes potencias, PS e PSD estão a aproveitar este momento para irem mais longe na imposição de mais sacrifícios aos trabalhadores e ao Povo português.

A concertação entre PS e PSD não irá trazer nada de novo, não irá parar com a especulação nem com o roubo que está a ser feito ao país, destina-se isso sim a aprofundar os aspectos mais negativos da política de desastre económico e social de que ambos têm sido responsáveis ao longo dos últimos 34 anos.

O PCP considera necessário rejeitar veementemente pressões e ingerências externas. A grave situação em que o país se encontra, só pode ser resolvida com uma ruptura patriótica e de esquerda , e por uma decidida intervenção contra a especulação financeira, na defesa dos interesses nacionais, na valorização do nosso aparelho produtivo, na melhoria dos salários e das pensões. O momento que vivemos torna mais clara a necessidade de intensificar a luta contra o PEC e a política de direita, desde logo por uma combativa participação na jornada de luta do 1º de Maio».

Problemas no paraíso

E assim de repente, os japoneses ficaram a saber que têm 15,7% de pobres. São aproximadamente 20 milhões de pessoas. Os anteriores governos do Partido Liberal têm ocultado as estatísticas desde 1998. Habituados a considerarem a sua sociedade como possuindo forte cariz igualitário, os japoneses passam agora a ter maior consciência das reais consequências económicas da «estagflação» que sofrem desde o início dos anos 90 e não conseguiram resolver com a precarização das leis laborais ou a financeirização da economia.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Um governo miserável, um povo desgraçado

Fora das tricas burguesas do burburinho de que o país pode falir ou não e quem ganha com toda essa especulação, existe um povo cada dia mais explorado, pelo Privado e pelo Estado.

Se a notícia de que as empresas de trabalho temporário em Portugal já valem 1,2 mil milhões de euros são mais uma prova de que no Capitalismo a "filha-da-putice" não conhece crise, a informação de que 20 mil dos 100 mil trabalhadores temporários são contratados pelo próprio Estado, ficamos esclarecidos sobre a natureza assumidamente burguesa e exploradora do aparelho estatal governado pelo partido da «esquerda democrática, moderna e popular».

Também hoje ficamos a saber que o número de pessoas a auferir o salário mínimo em Portugal duplicou desde 2006. Os senhores que têm aprovado as ETT's e garantido a impunidade do trabalho sem direitos que elas proporcionam e os que fazem a apologia da exploração assalariada, tenham ao menos vergonha na cara de não comparecer nas comemorações do 25 de Abril.

sábado, 17 de abril de 2010

Uma espécie de "ismo"

A Geórgia, principal marioneta do Capitalismo na Ásia Central, vai a eleições municipais no próximo 30 de Maio.

Das 36 formações que se apresentaram a eleições, 1o foram impedidas de se registar. Uma delas é o Partido Verde, de matriz ecologista e opôs-se ao golpe de estado que colocou Saakashvilli no poder.

A Geórgia é o mesmo país que provocou a Rússia e envolveu-se num conflito com esta após a perseguição de membros de etnia russa na Abecázia e Ossétia do Sul, tem um aeroporto chamado "George W. Bush", um sistema de saúde baseado em seguradoras e recentemente, o neoliberal Saakashvili promulgou o Economic Liberty Act, que pretende decepar quaisquer tentativas de investimento público, apesar de 52% da população viver abaixo do limiar da pobreza.

Lembrem-se que a Geórgia era daqueles países com uma "surpreendente" recuperação económica baseada no Mercado Livre a toda a brida e um foco de democracia na Ásia Central...

sábado, 27 de março de 2010

O que se passa na Grécia e o que nós temos a ver com isso

O crescimento frágil que a Europa tanto experimentou nos últimos anos foi fundamentado em taxas de juro ilusoriamente baixas que sustentaram um consumo generalizado na Zona Euro e benificiou a Alemanha em particular, que conseguiu manter um excedente comercial em relação aos países mais "pequenos" da UE. A Alemanha, era o primeiro exportador a nível mundial até à um ano, sendo destronada pela China.

A financeirização da economia europeia e as rígidas regras fiscais do Pacto de Estabilidade e Crescimento da UE, que nos obrigam a ter um défice igual ou inferior a 3%, fez com que os países da periferia europeia tivessem de flexibilizar o mercado de trabalho e aumentar o emprego temporário e em part-time, desvalorizando o valor do trabalho.

Estas economias periféricas, entre as quais se encontra a grega e a portuguesa, tiveram de pedir emprestado, elevando o valor da dívida interna, para manter os níveis de consumo e esbater o fosso para com as economias mais ricas. O próprio Reino Unido tem aumentado a dívida interna para manter os níveis de consumo.

A solução proposta para resolver os resultados naturais da finaceirização é outro ataque à classe trabalhadora. Cortes nos gastos sociais do Estado, privatizações, redução dos salários e aumento dos impostos. Os resultados a nível europeu destas "soluções" é uma nivelação por baixo dos salários e das condições de vida dos trabalhadores para que os Estados consigam corrigir os défices. Ou seja, a precarização cedo se tornará uma rápida proletarização.

A questão impõe-se. Países como os da Europa de Leste que já desvalorizaram o trabalho tanto quanto podiam e são pouco dados a gastos públicos vão fazer o quê para competir com a adopção das mesmas políticas no resto da Europa?

Como última nota de destaque, os principais bancos decidiram tornar-se "inovadores" outra vez. Desta vez estão a apostar na impossibilidade da Grécia saldar a sua dívida. E estão a ser criados derivativos financeiros que apostam sobre as apostas de que a Grécia vai falir. E mais apostas sobre as apostas das apostas que a Grécia vai c'o badagaio. O Mercado em pleno processo de auto-regulação, então.

- fundamentado neste post no Lenin's Tomb.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Episódios da Vitória do Capitalismo



No Chile, o presidente direitista Sebastian Piñera, afirmou que poderá privatizar algumas empresas do Estado para financiar a reconstrução do país após o sismo.

Nas Honduras, um professor activista contra o golpe foi assassinado à frente dos seus alunos, em Tegucicalpa, com dezenas de disparos à queima-roupa.

Em Nova Iorque, 39 900 pessoas passam a noite em centros de acolhimento por não terem casa. Caso o Estado deste país avance com os cortes em centros para sem-abrigos, no valor de 104 milhões de euros, muitos dos desalojados terão de dormir na rua.

Na Itália, a força política xenófoba e racista, Lega Nord, espera obter bons resultados nas eleições regionais fora do seu feudo natural, o norte de Itália.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Frutos da cultura

As recentes notícias que nos chegam das escolas portuguesas, de agressão e violência cujo inglesismo "bullying" parece lavar o contexto semântico do acto, não são senão a "ponta do icebergue" de um clima que se tem instalado nas escolas desde à muito.

"O ensino publico é mau" ou o "desleixo dos pais" são as desculpas comuns para o mau ambiente das nossas escolas, mas escapa ao facto dominante na educação da nossa população infantil-juvenil. É a televisão o principal elemento de educação das crianças. É a televisão que aponta os modelos a seguir, as condutas a serem valorizadas e os valores a obedecer e as crianças estão expostas a muito mais do que desenhos animados.

A publicidade propagandeia a elegia do consumo e das personalidades descartáveis a cada nova remessa de produtos, espalhando o mito capitalista do successful bastard para justificar a crueldade entre pessoas e a existência de fracos e fortes, pobres e ricos.

É este sacerdote omni-presente que naturaliza, romantiza e promove a crueldade como mecanismo social. A disseminação dos actos de violência e ódio, nas escolas, locais públicos e privados são frutos de um cultura que ridiculariza a bondade para legitimar o ódio.

sexta-feira, 12 de março de 2010

A "tradição liberal e democrática"

Há uns dias li uma entrevista com o João Pereira Coutinho, blogger do Blasfémias, na qual declarou ser «aberrante» termos um Partido Comunista e que as corrupções não são impunes nos países de "tradição liberal e democrática".

Coloca-se a questão, que coisa maravilhosa é essa da "tradição liberal e democrática"que impede os abusos às liberdades?

A resposta parece vir da Inglaterra. Nick Clegg, líder do partido dos Liberais Democratas confessou a sua admiração pelas políticas de Thatcher quando esta esteve no executivo, em especial, a sua vitória sobre os sindicatos.

Que vitória, pergunto? Ora, estávamos na altura da guerra das Malvinas, conflito que garantia a popularidade e obediência suficiente da primeira-ministra para levar a cabo o seu projecto de privatizações, incluindo no sector mineiro. Os mineiros não foram no ritual de adulação da commander-in-chief e fizeram greves massivas.

Qual a resposta de Thatcher? 20 mil pessoas feridas nas manifestações pelas forças da autoridade e 11 300 grevistas e apoiantes processados judicialmente. Oh freedom! O resultado das políticas de Thatcher resultaram no despedimento de milhares de pessoas e no desbaratar do sector produtivo da Inglaterra.

A financeirização da economia resultou no crescimento da pobreza neste país, especialmente entre as crianças. Uma em cada quatro é pobre. Cerca de 3 milhões.

Qual a resposta dos Liberais Democratas para este desastre social? Cortar os gastos públicos a 100%. Ainda mais do que os conservadores de David Cameron propôem.

Can't you smell the freedom?

segunda-feira, 8 de março de 2010

E isto? Não propagandeiam?

No ano passado, as empresas portuguesas contabilizaram mais 5,5 mil milhões de lucros à conta da discriminação das mulheres nos salários. É bonito ver a burguesia glamourosa a fazer campanhas bem-falantes sobre o dia da mulher. Apenas mais uma prova que a dignidade da mulher só conta enquanto produto de marketing. Praticar o que professam nas propagandas , viste-las.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

De como se fabricam as crises

Em 1993, o Canadá via-se cercado por notícias que alertavam para um «muro de dívida» que se iria abater sobre o país caso não fossem tomadas previdências.

A «catástrofe financeira» provinda da «crise do défice» assolava os canadianos com frequência cada vez que na televisão ou nos jornais os "peritos" e os "economistas" tinham a palavra. Falava-se até na possibilidade da Moody's e da Standard & Poor's baixarem o rating da economia canadiana e os investidores estrangeiros retirarem o seu dinheiro do país de forma galopante e repentina.

A Statistics Canada argumentava que a «crise» era causada pelas «altas taxas de juro, que fizeram explodir o valor da dívida». Logo surgiram vários Messias com a solução. Corte nos gastos públicos como a saúde, a educação, seguros de desemprego e programas sociais.

Curiosamente, Vincent Truglia, analista sénior da Moody's para a economia canadiana, afirmava que «considerava o Canadá um investimento excelente e estável», apesar de ter recebido telefonemas de grandes empresários e bancos canadianos para «emitir relatórios negativos» sobre a situação económica do Canadá.

O facto do rating canadiano se manter estável e elevado dificultava a tarefa de manter os canadianos amedrontados, mas com todo o celeuma gerado e que continuava a pairar nos mercados, Truglia decidiu fazer um «comentário especial», no qual explica que «vários relatórios publicados recentemente exageram grosseiramente a posição da dívida fiscal do Canadá. Alguns deles contaram o número duas vezes, enquanto que outros fizeram comparações internacionais inapropriadas(...). Estas medições incorrectas podem ter desempenhado um papel nas avaliações exageradas da seriedade do problema da dívida do Canadá».

Após o seu comentário, Truglia recebeu um telefonema zangado e aos gritos de um membro de uma grande instituição financeira do Canadá. Algo que nunca lhe tinha acontecido.

No entanto isso não impediu o Capital canadiano de atingir o seu objectivo. O Governo, na altura liderado pelo Partido Liberal, cortou a eito nos subsídios de desemprego e apesar das várias mexidas nos orçamentos desde então, o valor perdido nunca mais se recuperou.

Mais tarde, foi posto a descoberto que a crise tinha sido manipulada e nunca tinha havido «muro de dívida» nenhum. Mas o estrago já estava feito.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O que escondem as palavras


Por detrás do desígnio de «modernização do secundário» esconde-se negócios como os que o Público revelou hoje, no qual ficamos a saber que a maioria das escolas secundárias deixarão de ser património do Estado para passarem a fazer parte da empresa pública Parque Escolar.

Manuel Tiago, deputado do PCP, já previu que «no futuro, será a Parque Escolar a gestora de todas as escolas e se um dia o Governo decidir privatizá-la, o parque escolar passa a ter uma gestão empresarial». Num sistema de ensino com gestão empresarial, os encarregados de educação têm de pagar pela educação dos seus filhos, o que acontece com as escolas impostas em Nova Orleães depois do Katrina.

Numa escola com gestão empresarial, também não há lugar à participação dos professores na estruturação pedagógica das escolas e os sindicalistas são perseguidos com ameaças de despedimento.

Quase todos os grupos se insurgem contra esta medida, desde a FenProf, a Frente Nacional de Educação, o Conselho de Escolas e a Associação Nacional de Dirigentes Escolares. Só a Confederação de Pais sai em defesa desta política, mas para quem conhece um mínimo que seja a Confap, esta é um associada do Partido Socialista.

Para compreendermos a natureza do Parque Escolar, basta tomar atenção à adjudicação de obras nas escolas a empresas privadas, no valor de 35 milhões de euros, onde se encontram inúmeras parcerias de empresas de construção civil, sendo que uma delas, a Britalar, tem na sua direcção o antigo administrador da Parque Escolar entre 2001 e 2007, Saraiva Menezes, «mão direita» do presidente do Braga e presidente da mesa de concelhia de Braga do CDS-PP.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Os sinais do Mercado

Actualmente, perante a crise de dívida que se está a abater sobre a Grécia, Irlanda e dentro em pouco, Portugal, muito se fala das reacções dos mercados financeiros e das consequências destas nas dívidas públicas.

A lógica é que quando a "coisa" parece estar em vésperas de implosão, os mercados castigam os países através do rating da dívida, passando a ser mais difícil ao país pedir empréstimos no estrangeiro. Como não podia deixar de ser, os adeptos do Mercado Livre não questionam a autoridade das instâncias, como se a sua Razão fosse inabalável à Memória. Não é raro referirem-se às instituições do Mercado Livre e suas linhas ideológicas como o garante da "transição democrática" do Leste Europeu e das "ditaduras de Direita".

Numa altura em que também se celebram os 20 anos da libertação de Nelson Mandela, que levou à derrocada do Apartheid, é um curioso exercício saber quais foram os "sinais" dos mercados financeiros ao fim do regime branco.

No exacto dia em que Mandela foi libertado, os mercados entraram em pânico e causaram a desvalorização do rand, moeda sul-africana, em 10%. Mais tarde a companhia de diamantes De Beers mudou a sua sede da África do Sul para a Suíça e em 1996, já com a democracia instaurada, o rand desvalorizou 20% num só mês, além do «capital» que estava a sair do país com os «ricos e nervosos do país colocavam o seu dinheiro em contas no estrangeiro».

As reacções do Mercado eram de um histerismo tão ridículo que após Mandela mencionar a nacionalização das minas de ouro sul-africanas numa reunião com homens de negócios, o All-Gold Index, índice de referência do ouro, caiu 5%.

As fortes mensagens do Mercado Livre, deram cedo a entender às figuras de topo do Congresso Nacional Africano, movimento de libertação deste país, que se não queriam um país mais pobre quando atingissem o poder teriam de negociar com as multinacionais do antigo regime e os economistas das instituições internacionais.

O medo da miséria mais abjecta levou o CNA a estabelecer uma política de compromisso com os interesses económicos globais e que suportavam o apartheid. O compromisso foi desde a independência do seu Banco Central, liderado por Chris Stals, o mesmo homem que o chefiara na ditadura; à impossibilidade de levar a cabo uma reforma agrária que redistribuísse as terras, de nacionalizar os «bancos, minas e indústrias de monopólio» ou até de subir os salários.

Entre outras concessões, ficaram por cumprir o perdão internacional da dívida pública deixada pelo regime do Apartheid e a criação de um imposto de solidariedade, com o qual as multinacionais que lucraram com a segregação ajudariam as famílias das vítimas.

Em contra-partida, o CNA lançou um plano público para a economia que o próprio Thabo Mbeki apelidou de Thatcherite. Era digno das terapias de choque que os liberais portugueses desejam para o país: «privatizações, cortes nas despesas do Estado, "flexibilidade" laboral, comércio mais livre e controlo monetário mais folgado.»

O resultado do plano está à vista, hoje, os sul-africanos são mais pobres que no tempo do Apartheid e os projectos públicos implementados foram abandonados a meio por falta de recursos.

O próprio Wall Street Journal afirmou que «o Sr. Mandela tem, nos últimos dias, ficado mais parecido com Margaret Thatcher e menos com o socialista revolucionário que em tempos se pensou que ele era», após este ter afirmado na sua primeira entrevista como presidente que «não há um único lema que nos ligue a qualquer ideologia marxista». Vê-se.