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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Há 93 anos começou um novo capítulo da Humanidade...



...que todos os dias nos impele a continuá-lo. Viva a Grandiosa Revolução Socialista de Outubro!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Crimes do Anti-comunismo



E ainda faltam registar muitos mais crimes...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Quando o fascismo é legitimado

O texto de opinião de Jaime Nogueira Pinto no jornal I é de uma nojeira sem fim.

O energúmeno vem falar do caso relativo ao Juiz Baltazar Garzón, que está a tentar julgar os crimes do franquismo, mas foi impedido por outros juízes por violar a amnistia que foi dada ao regime franquista na transição em 1977.

Chama a Garzón revanchista, relativiza o termo «crimes contra a humanidade» e legitima o fascismo espanhol com a necessidade de pôr termo à «anarquia, guerra civil». Culpa a mesma guerra civil espanhola pela acção dos «esquerdistas», que tiveram o implantre de organizar uma revolta dos mineiros das Astúrias. Incêndios nas igrejas e «caçar fascistas» foram outros dos pecados dos facínoras «esquerdistas». Remata dizendo que Franco chegou ao poder através da revolta de parte do exército.

Compara as matanças do fascismo com a desnazificação do pós-guerra e ainda refere o antigo líder "comunista" Santiago Carrillo como responsável pela «matança de Paracuellos».

Como se não bastasse tamanho chorrilho de disparates eis que Nogueira Pinto aponta o dedo a Garzón por ter tido a «brilhante ideia de mandar prender em Londres e querer extraditar e julgar Augusto Pinochet. Ditador militar que impôs o neoliberalismo à força das armas e obviamente, o genial Jaime, glorifica-o por «evitar a tomada do poder pelos comunistas no Chile».

Apelida a acção de Baltazar Garzón como «contra todo o bom senso» e apelida os apoiantes do juíz como «politicamente correctos». Que lógica! O fascismo é radical...

Talvez não se lembrem mas Jaime Nogueira Pinto defendeu Salazar aquando do concurso «Grandes Portugueses». Pois claro.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ainda sobre o dia da mulher

A importância histórica do dia Internacional da Mulher está intrinsecamente ligado com a edificação do Estado Proletário na Rússia.

A 8 de Março de 1917 (23 de Fevereiro no calendário russo da altura) as operárias de Petrogrado do sector têxtil faziam greves contra a guerra, (I Guerra Mundial) o desemprego e a escassez de alimentos. Com os homens daquele país na frente de batalha, a greve de massas iniciada naquele dia despoletou todo um rol de protestos que desencadeou a Revolução de Fevereiro.

Mais tarde, em 1921, uma comunista búlgara propõe o dia 8 de Março, como celebração do Dia Internacional da Mulher, de forma a lembrar a «iniciativa das mulheres russas».

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

De como se fabricam as crises

Em 1993, o Canadá via-se cercado por notícias que alertavam para um «muro de dívida» que se iria abater sobre o país caso não fossem tomadas previdências.

A «catástrofe financeira» provinda da «crise do défice» assolava os canadianos com frequência cada vez que na televisão ou nos jornais os "peritos" e os "economistas" tinham a palavra. Falava-se até na possibilidade da Moody's e da Standard & Poor's baixarem o rating da economia canadiana e os investidores estrangeiros retirarem o seu dinheiro do país de forma galopante e repentina.

A Statistics Canada argumentava que a «crise» era causada pelas «altas taxas de juro, que fizeram explodir o valor da dívida». Logo surgiram vários Messias com a solução. Corte nos gastos públicos como a saúde, a educação, seguros de desemprego e programas sociais.

Curiosamente, Vincent Truglia, analista sénior da Moody's para a economia canadiana, afirmava que «considerava o Canadá um investimento excelente e estável», apesar de ter recebido telefonemas de grandes empresários e bancos canadianos para «emitir relatórios negativos» sobre a situação económica do Canadá.

O facto do rating canadiano se manter estável e elevado dificultava a tarefa de manter os canadianos amedrontados, mas com todo o celeuma gerado e que continuava a pairar nos mercados, Truglia decidiu fazer um «comentário especial», no qual explica que «vários relatórios publicados recentemente exageram grosseiramente a posição da dívida fiscal do Canadá. Alguns deles contaram o número duas vezes, enquanto que outros fizeram comparações internacionais inapropriadas(...). Estas medições incorrectas podem ter desempenhado um papel nas avaliações exageradas da seriedade do problema da dívida do Canadá».

Após o seu comentário, Truglia recebeu um telefonema zangado e aos gritos de um membro de uma grande instituição financeira do Canadá. Algo que nunca lhe tinha acontecido.

No entanto isso não impediu o Capital canadiano de atingir o seu objectivo. O Governo, na altura liderado pelo Partido Liberal, cortou a eito nos subsídios de desemprego e apesar das várias mexidas nos orçamentos desde então, o valor perdido nunca mais se recuperou.

Mais tarde, foi posto a descoberto que a crise tinha sido manipulada e nunca tinha havido «muro de dívida» nenhum. Mas o estrago já estava feito.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Os sinais do Mercado

Actualmente, perante a crise de dívida que se está a abater sobre a Grécia, Irlanda e dentro em pouco, Portugal, muito se fala das reacções dos mercados financeiros e das consequências destas nas dívidas públicas.

A lógica é que quando a "coisa" parece estar em vésperas de implosão, os mercados castigam os países através do rating da dívida, passando a ser mais difícil ao país pedir empréstimos no estrangeiro. Como não podia deixar de ser, os adeptos do Mercado Livre não questionam a autoridade das instâncias, como se a sua Razão fosse inabalável à Memória. Não é raro referirem-se às instituições do Mercado Livre e suas linhas ideológicas como o garante da "transição democrática" do Leste Europeu e das "ditaduras de Direita".

Numa altura em que também se celebram os 20 anos da libertação de Nelson Mandela, que levou à derrocada do Apartheid, é um curioso exercício saber quais foram os "sinais" dos mercados financeiros ao fim do regime branco.

No exacto dia em que Mandela foi libertado, os mercados entraram em pânico e causaram a desvalorização do rand, moeda sul-africana, em 10%. Mais tarde a companhia de diamantes De Beers mudou a sua sede da África do Sul para a Suíça e em 1996, já com a democracia instaurada, o rand desvalorizou 20% num só mês, além do «capital» que estava a sair do país com os «ricos e nervosos do país colocavam o seu dinheiro em contas no estrangeiro».

As reacções do Mercado eram de um histerismo tão ridículo que após Mandela mencionar a nacionalização das minas de ouro sul-africanas numa reunião com homens de negócios, o All-Gold Index, índice de referência do ouro, caiu 5%.

As fortes mensagens do Mercado Livre, deram cedo a entender às figuras de topo do Congresso Nacional Africano, movimento de libertação deste país, que se não queriam um país mais pobre quando atingissem o poder teriam de negociar com as multinacionais do antigo regime e os economistas das instituições internacionais.

O medo da miséria mais abjecta levou o CNA a estabelecer uma política de compromisso com os interesses económicos globais e que suportavam o apartheid. O compromisso foi desde a independência do seu Banco Central, liderado por Chris Stals, o mesmo homem que o chefiara na ditadura; à impossibilidade de levar a cabo uma reforma agrária que redistribuísse as terras, de nacionalizar os «bancos, minas e indústrias de monopólio» ou até de subir os salários.

Entre outras concessões, ficaram por cumprir o perdão internacional da dívida pública deixada pelo regime do Apartheid e a criação de um imposto de solidariedade, com o qual as multinacionais que lucraram com a segregação ajudariam as famílias das vítimas.

Em contra-partida, o CNA lançou um plano público para a economia que o próprio Thabo Mbeki apelidou de Thatcherite. Era digno das terapias de choque que os liberais portugueses desejam para o país: «privatizações, cortes nas despesas do Estado, "flexibilidade" laboral, comércio mais livre e controlo monetário mais folgado.»

O resultado do plano está à vista, hoje, os sul-africanos são mais pobres que no tempo do Apartheid e os projectos públicos implementados foram abandonados a meio por falta de recursos.

O próprio Wall Street Journal afirmou que «o Sr. Mandela tem, nos últimos dias, ficado mais parecido com Margaret Thatcher e menos com o socialista revolucionário que em tempos se pensou que ele era», após este ter afirmado na sua primeira entrevista como presidente que «não há um único lema que nos ligue a qualquer ideologia marxista». Vê-se.