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sábado, 11 de dezembro de 2010

Os trabalhadores e a Imprensa

«Quando os trabalhadores ganharem só o suficiente para comer, dir-se-á na televisão que os trabalhadores comem demasiado»
- palavras de um camarada

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Questionam?! Mas quem?


Se há expressão que de tão repetida dentro em pouco se irá converter em axioma é a de que a democracia nunca foi tão questionada como hoje. É ver nas colunas de opinião e lá estão as catatuas engasgadas do regime mencionando uma ameaça abstracta sobre a democracia portuguesa.

A questão é...mas quem questiona? Será que estes ilustres desconhecidos a quem são dadas páginas inteiras nos jornais ou imagem e voz nas televisões andam aí pelas ruas, cafés e locais de trabalho a perguntar a quem passa se deseja o fim da democracia? Ou se queriam uma "democracia musculada"?

Quem é que lhes diz que questiona a democracia? Realmente acreditam que os bitaites contra os "políticos" de gente que não milita para lá do balcão do café nem se organiza noutra instituição além dos clubes de futebol contam para alguma coisa? Esses, se questionados a fundo, logo abandonam a postura altaneira pela covardia de quem fala sem pensar e admitem que não se revendo em quem nos tem governado não põem em causa a democracia.

Por isso, mais uma vez pergunto, quem é que dentro do povo questiona a democracia?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A têmpera de um jornal burguês

O Público lançou nas últimas três semanas uma série de 20 reportagens sobre o Iraque, passado 20 anos da guerra do Kuweit, lembrando obviamente pela actual guerra deixou no país.

Li todas as peças jornalísticas. Pensei que seria uma boa oportunidade de ver num jornal com maior visibilidade, descritos de forma detalhada os abusos das forças ocupantes, a relação parasitária do aparato empresarial e a classe política corrupta, marioneta dos interesses económicos e imperiais, a vivência árdua dos trabalhadores e desempregados, dos perseguidos politicamente pelas tropas americanas e as autoridades iraquianas, a razão porque a Al-Qaeda espalhou-se pelo país só após a invasão e os terrores quotidianos de Fallujah.

O silêncio sobre as verdadeiras questões que assolam o povo iraquiano para dar espaço aos tópicos do costume, divisão étnica à boa moda dos "states" e o embate entre os vários fanatismos clericais, a ideia de que a guerra actual foi má, mas necessária e que a população iraquiana está grata aos americanos é a prova de que da Comunicação Social do costume sairá sempre a informação do costume.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A luta pela sustentabilidade ambiental não é a Guerra Fria

O recente escândalo sobre a suposta falsidade científica do Aquecimento Global veio causar uma reviravolta curiosa na discussão acerca do meio-ambiente.

O Aquecimento Global, alegado fenómeno natural em que as temperaturas aumentam com consequências graves para a sociedade humana, tem vindo a ser disputado por uma ala esquerda e ecologista e uma ala direita e conservadora que atribuem a culpa quer à acção humana, quer aos ciclos naturais do planeta, respectivamente.

A discussão já vai tão longa e foi tão mediatizada que é impossível fazer referência ao Meio-Ambiente sem se falar do Aquecimento Global e falar deste é mencionar os desastres ambientais que vemos, quer seja na televisão ou com os nossos próprios olhos.

"À pala" da visão de "esquerda" do Aquecimento Global, dominante e incontestável até à pouco, lançou-se o comércio de emissões de carbono, sem resultados de mais para o ambiente e com o enfardar de carteiras da Burguesia internacional.

A reacção à descoberta de que o Aquecimento Global pode não ter causa humana deu legitimidade e espaço mediático às explicações da ala direitista e conservadora, mais preocupada em dar passe-livre às multinacionais para continuarem os ataques brutais ao meio-ambiente sem terem de acatar responsabilidades por nada. Para estes, a ciência só é válida quando convém aos seus interesses.
E a curiosidade está aqui. Rejeitando a tese de que o Aquecimento Global tem mão humana, desaparece de igual modo da discussão política os atentados ao meio-ambiente e a insustentabilidade de um modelo de crescimento baseada na tese insana de que o planeta tem recursos ilimitados.

E eis, como se de um passo de mágica se tratasse, já não importam as descargas poluentes, sobrecargas de lixo, devastações de espaços verdes e o consumo de combustíveis fósseis (petróleo e gás natural) cujas reservas seguramente não são infindáveis.

O que estes génios da lógica falaciosa não entendem é que o Meio-Ambiente não é a União Soviética e a sustentabilidade ambiental não é a Guerra Fria.
A poluição da água, a escassez de recursos energéticos e o aumento de fenómenos climatéricos extremos não são controlados e ordenados por um Politburo que organiza paradas militares nos feriados nacionais numa cruzada ideológica contra o Capitalismo, nem desaparecem com a vitória da contra-guerrilha ideológica da direita sobre os ecologistas.

Os danos que causamos à Natureza serão pagos, quer os ideólogos dominantes andem de florzinha na mão ou lucros financeiros na cabeça.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Não é pensamento único, é liberdade de consenso.

A Russia Today, um canal de informação russo, lançou uma campanha publicitária no qual realçava o carácter duplo e dúbio do senso comum, tomado como verdadeiro e assumido como facto. Questionar o terrorismo, a dissidência civil e as ameaças valeu à RT a proibição dos seu spots publicitários nos aeroportos estado-unidenses. Numa nota de conclusão antes de colocar as imagens publicitárias em si, é de reparar que a Russia Today está longe de ser um órgão de informação marxista ou alternativo, bastando ler a sua versão da história da Rússia soviética.