segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Da pátria da "Democracia"...

Os Estados Unidos da América é uma nação tão democrática que até o dinheiro tem vontade política. Quê? Bem, deixem-me explicar-vos, no último dia 23 o Supremo Tribunal estado-unidense levantou as restrições à quantidade de dinheiro que as empresas podem gastar em campanhas políticas.

A maior alteração das leis eleitorais nos EUA em meio século, justificou-se com a «liberdade de expressão», consequentemente o líder da bancada republicana na Câmara dos Representantes reclamou «uma vitória dos princípios constitucionais» e causou consternação a Obama. Um inquérito feito, mostra que 77% dos homens de negócios não acha que o actual presidente é suficientemente adepto da «livre empresa».

O poder do dinheiro na "democracia" estado-unidense pôde ver-se de igual modo com o aumento de dinheiro gasto pelo sector bancário para fazer lobby aos representantes políticos dos EUA. Os «oito maiores bancos» gastaram 18 milhões de dólares em 2009 para «influenciar decisões políticas», especialmente as ligadas às que limitavam e fiscalizavam «as instituições financeiras».

Luís Cabral, economista português sediado nos EUA, afirma que nos últimos anos se tem assistido à «captura do poder político pelo sistema financeiro».

O Estado Burguês em todo o seu esplendor.

Apontamentos sobre o Haiti


O terramoto que se abateu sobre o Haiti tornou trágica a situação de um país miserável, o mais pobre do hemisfério norte.

O que se seguiu já faz parte do folclore dos cataclismos naturais, mediatização frenética, a adopção de linguagem apocalíptica, todo um desfile de doações e actos de caridade, desde as celebridades até ao comum cidadão.

Até agora o facto mais controverso tem sido o envio de 15 mil militares estado-unidenses para "garantir a tranquilidade" em Port-au-Prince. As fontes são dissonantes. Se há quem diga que desastre natural estalou a anarquia na capital haitiana e que os seus naturais estão à espera da vinda salvífica das forças armadas dos EUA, há também quem garanta que não há problemas de segurança e que a "ajuda" estado-unidense é em demasia.

No meu ver, compreendendo a necessidade do reforço da autoridade em tempos em que o Estado nacional do Haiti simplesmente deixou de desaparecer, não deixo de acreditar que este envio de militares está intimamente ligado com o pedido de George W. Bush para que os seus concidadãos não façam doação de bens essenciais, mas de "dinheiro", assegurando o ex-presidente que eles «cuidariam» dele.

Aquando do Tsunami no Sudeste Asiático, o governo do Sri Lanka aproveitou o estado de choque geral da população para implementar um «impopular» programa de privatizações, rejeitado em referendo pela população oito meses antes do tsunami, que incluia a entrega a privados da água e da electricidade. Assistiu-se de igual modo à privatização de praias na Tailândia.

Será que voltaremos a ver o mesmo modos operandi no Haiti?

Politicamente, o Haiti sempre foi um colonato dos EUA, "Papa Doc" Duvalier, um feroz ditador anti-comunista e o seu filho, dispuseram o país à burguesia americana e à oligarquia local. Das últimas vezes que os EUA meteram o bedelho no Haiti foi com Duvalier filho, um programa de reestruturação da economia, orientada para a indústria de exportação e transporte de excedentes agrícolas estado-unidenses para o Haiti, concentrou as populações nos grandes centros urbanos, onde passou a haver mais mão-de-obra do que emprego, e aniquilou a agricultura local. Escusado será dizer que esta reestruturação económica não resultou em nada e o Haiti continuou miserável.

O fim da ditadura levou à eleição de Jean-Bertrand Aristide, que quis formar uma economia baseada em parcerias público-privadas, que beneficiaram o povo haitiano, não deixando de lado os interesses privados. Até o reformista Aristide, Washington não conseguiu aguentar e depô-lo em 1991 e 2004.

Do regime saído do golpe de estado de 2004, seguiu-se a prisão de «milhares de organizadores comunitários, civis pobres e dissidentes políticos que os EUA/ONG» etiquetam como «gangsters». A proibição do partido maioritário no Haiti em participar nas eleições é outro "pormenor" da "democracia" pró-americana de René Preval.

René Preval, que não aceitou a ajuda militar da República Dominicana mas saltou de pulos com a estado-unidense, lidera um país que longe de ser pobre e sem recursos, tem reservas de ouro, irídio, cobre, urânio, diamantes, reservas de gás e até petróleo. Todos eles tomados por privados, de que se desconhecem os nomes.

Neste caso pode-se dizer que o ladrão não volta ao local do crime, mas repete os mesmos procedimentos. Vamos ver para que servem as "ajudas militares"...

Quando o Arrastão acerta...

«Por causa de conversas no Facebook a TAP resolveu enviar nove pilotos da empresa para um “curso de ética” sem que um processo disciplinar tivesse ainda tido lugar. O sindicato garante que os comentários destes funcionários “não constituíram a violação de qualquer dever laboral”.«Durante o último século tememos a omnipresença do Estado. Que vigiaria cada um dos nossos passos e trataria da nossa reeducação de cada vez que nos desviássemos do caminho certo. E boas razões tivemos para os nossos temores. As tiranias, muito dadas a eufemismos que escondam a banalidade da repressão, deram e dão e às seus prisões o bondoso nome de “campos de reeducação”.

No próximo século o Big Brother será outro. É na empresa que se decidem todos os pormenores das nossas vidas: as horas que nos restam para viver, se podemos ou não ter filhos, a roupa que vestimos, as opiniões que podemos ter. E também elas trataram dos seus eufemismos. Os trabalhadores são colaboradores. Um despedimento é uma dispensa de serviços. Vários despedimentos são uma reestruturação. Uma punição é um “curso de ética”. Em inglês soa melhor: “corporate crew resource management”, disse fonte oficial da TAP à Lusa. O 1984 e a sua novilíngua aí estão. Em 2010.»

- retirado do arrastao.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Graças a Deus...

A Microsoft anunciou que "só" armazenará por seis meses as procuras feitas no seu motor de busca, Bing.

O Google por exemplo, "só" nos guarda as buscas por 18 meses e empresta-nos sem permissão os cookies.

Uns simpáticos...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Na Moldávia, fazem-se "tachos" por encomenda

Por norma, sou contra a "boca" que prolifera na sociedade portuguesa de que "todos" os políticos são corruptos e querem é "tacho". Existem políticos corruptos e carreiristas, mas a generalização desta condição a todos os que tomam uma posição ideológica é corrosiva da democracia e só beneficia os grandes interesses, suportados intelectualmente pelos liberais.

Mas ao olhar o que está a acontecer na Moldávia, não me passa outra coisa pela cabeça senão a implementação de "tachos" a torto e a direito para as quatro forças políticas actualmente no poder, liberais.

O líder parlamentar e presidente em funções da Moldávia, Mihai Gimpu ordenou por decreto a formação de uma comissão composta por «politólogos, juristas, filósofos e historiadores», cujo objectivo é «avaliar» o regime comunista existente naquele país até à proclamação da independência em 1991.

Para perceber a natureza desta medida, ela fundamenta-se na condenação dos "totalitarismos" da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e poderá acabar na «proibição do nome e símbolos do partido comunista».

Aparte das condenações "democráticas" da Europa, está em curso a imposição de um clima de perseguição dos militantes e activistas do Partido Comunista da República da Moldávia e da União das Juventudes Comunistas. Registaram-se casos em que indivíduos ligados às forças políticas comunistas foram obrigados a apresentar-se nas esquadras policiais e identificarem-se. Houve até um jovem comunista que ficou isolado pela polícia e permaneceu incontactável durante doze horas.

A perseguição de activistas políticos, «características de um estado policial», não é criticada pela União Europeia e instituições "democráticas" afins, porque a coligação das direitas liberais na Moldávia está a utilizar o modus operandi dos países prestes a vender a sua classe trabalhadora por tuta e meia à burguesia internacional, o anti-comunismo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Para quem governam


O congresso das Honduras decretou oficialmente a saída das Honduras da Alternativa Bolivariana para as Américas.

Argumentando a «ingerência ideológica e militar» da «aliança chavista», os "democráticos" donos das Honduras fizeram de Obama e da classe dominante estado-unidense actores políticos muito aliviados e prontos para seguir o modus operandi de décadas.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

As narrativas do paternalismo


O filme Avatar, cuja utilização da tecnologia 3D está prestes a catapultá-lo para a película mais rentável de sempre, tem provocado uma série de críticas, tanto positivas como negativas, nascidas de alguns pontos polémicos do enredo.

Desde salvador da indústria cinematográfica até «danças com lobos» sci-fi, o filme parece ter clicado no interruptor racial de alguns comentadores estado-unidenses, que nunca se cansam de falar deste instrumento muito grato do capitalismo, devido à sua capacidade de dividir trabalhadores pela cor da pele.

David Brooks, colunista do New York Times, apelida Avatar de «fantasia racial por excelência», por basear-se «na assumpção de que os povos não-brancos precisam de um Messias Branco para os guiar nas suas cruzadas».

Este paternalismo (o do colunista) assemelha-se ao de alguns intelectuais pequeno-burgueses que abrem a boca de espanto com o regresso do nomadismo ao Tajiquistão, antiga república soviética.

Pelas palavras de Timurbek, filologista russo que ficou por este país depois da queda da URSS, a "independência" significou o fim das «quintas estatais, canais de irrigação, redes de transportes e centrais de energia». O retrocesso civilizacional tornou o «nomadismo» uma «necessidade», enquanto que anteriormente era uma «opção».

Uma dessas pessoas é Aziz, um agricultor semi-nómada que nos conta que «Sob as Sovietes, tínhamos todo o tipo de de comida nas lojas, combustível barato, autocarros e estradas em bom estado». Não era permitido praticar «religião livremente, mas havia comida e trabalho».

O Tajiquistão, embora fosse a república mais pobre da URSS, com a queda da pátria socialista tornou-se uma das nações mais pobres do mundo, onde as antigas escolas e hospitais soviéticos foram abandonados por a electricidade não chegar a esta nação das estepes asiáticas, nem sequer no Inverno. O combustível, a escassez de comida e outros sinais de terceira-mundização extrema são o relato de um Tajiquistão "independente" e sob a batuta do Mercado Livre.

O tajique conclui que «toda a gente sente falta da União Soviética».

Em nota de conclusão, vejam o filme e analisem-no para lá dos irritantes paternalismos burgueses.