sexta-feira, 12 de março de 2010

A "tradição liberal e democrática"

Há uns dias li uma entrevista com o João Pereira Coutinho, blogger do Blasfémias, na qual declarou ser «aberrante» termos um Partido Comunista e que as corrupções não são impunes nos países de "tradição liberal e democrática".

Coloca-se a questão, que coisa maravilhosa é essa da "tradição liberal e democrática"que impede os abusos às liberdades?

A resposta parece vir da Inglaterra. Nick Clegg, líder do partido dos Liberais Democratas confessou a sua admiração pelas políticas de Thatcher quando esta esteve no executivo, em especial, a sua vitória sobre os sindicatos.

Que vitória, pergunto? Ora, estávamos na altura da guerra das Malvinas, conflito que garantia a popularidade e obediência suficiente da primeira-ministra para levar a cabo o seu projecto de privatizações, incluindo no sector mineiro. Os mineiros não foram no ritual de adulação da commander-in-chief e fizeram greves massivas.

Qual a resposta de Thatcher? 20 mil pessoas feridas nas manifestações pelas forças da autoridade e 11 300 grevistas e apoiantes processados judicialmente. Oh freedom! O resultado das políticas de Thatcher resultaram no despedimento de milhares de pessoas e no desbaratar do sector produtivo da Inglaterra.

A financeirização da economia resultou no crescimento da pobreza neste país, especialmente entre as crianças. Uma em cada quatro é pobre. Cerca de 3 milhões.

Qual a resposta dos Liberais Democratas para este desastre social? Cortar os gastos públicos a 100%. Ainda mais do que os conservadores de David Cameron propôem.

Can't you smell the freedom?

quinta-feira, 11 de março de 2010

É isto que me vem à cabeça...

...quando leio e ouço as críticas às greves, aqui e na Grécia, ou de quem se atreve a pensar para além das linhas de raciocínio desenhadas pelo "desígnio nacional". Negros tempos, aqueles que vivemos. E algo me diz que os vindouros serão ainda piores.

Ainda sobre o dia da mulher

A importância histórica do dia Internacional da Mulher está intrinsecamente ligado com a edificação do Estado Proletário na Rússia.

A 8 de Março de 1917 (23 de Fevereiro no calendário russo da altura) as operárias de Petrogrado do sector têxtil faziam greves contra a guerra, (I Guerra Mundial) o desemprego e a escassez de alimentos. Com os homens daquele país na frente de batalha, a greve de massas iniciada naquele dia despoletou todo um rol de protestos que desencadeou a Revolução de Fevereiro.

Mais tarde, em 1921, uma comunista búlgara propõe o dia 8 de Março, como celebração do Dia Internacional da Mulher, de forma a lembrar a «iniciativa das mulheres russas».

quarta-feira, 10 de março de 2010

Parabéns atrasados

Ainda não fui a tempo, mas deixem-me compensar a falta com este post. O nosso Partido fez 89 anos a 6 de Março. Há certamente muito a dizer acerca do PCP, mas a sua História fala por si. Quem olhar para o século XX português apercebe-se que o PCP foi o seu movimento socio-político mais importante. A liderar a resistência ao fascismo ou a lutar contra as políticas de direita, ou noutros períodos históricos, a ingressar nas fileiras dos movimentos de massa democráticos, poucos são os momentos históricos do século XX português em que o nosso partido não participou ou organizou. A própria democracia em que vivemos é fruto da coragem dos comunistas que combateram o regime de Salazar e Caetano.

Muitos poderão dizer que o PCP é uma força política "minguante", mas quem repare bem na primeira década do século XXI em Portugal, denota que foram os comunistas nas organizações das comunidades, municipais, cívicas e sindicais que tornaram a nossa democracia, um pouco mais popular e menos oligarca, um pouco mais real e menos mediática.

O nosso objectivo, a construção do socialismo em direcção ao comunismo, virá certamente, nem que seja porque a sociedade dos trabalhadores livres só se faz com a participação de todos os povos, incluindo o português.

segunda-feira, 8 de março de 2010

E isto? Não propagandeiam?

No ano passado, as empresas portuguesas contabilizaram mais 5,5 mil milhões de lucros à conta da discriminação das mulheres nos salários. É bonito ver a burguesia glamourosa a fazer campanhas bem-falantes sobre o dia da mulher. Apenas mais uma prova que a dignidade da mulher só conta enquanto produto de marketing. Praticar o que professam nas propagandas , viste-las.

sábado, 6 de março de 2010

Desabafos em que a Razão vence

Hoje, num desses cafés em que as gentes mergulham as frustrações comuns em conversa amena embebida em laivos temperamentais, um senhor já de idade, de discurso agressivo contra os "políticos" e os "banqueiros" disse em alta voz, como num desabafo para que toda a gente ouvisse...

«Nunca fui comunista, mas nisto sou comunista, "os ricos que paguem a crise"».

sexta-feira, 5 de março de 2010

Os actos falam mais alto que as palavras


Este é o monumento do Renascimento Africano, erigido na capital do Senegal, Dakar. O objectivo do monumento é celebrar a conquista da liberdade e dignidade dos jovens estados africanos e em princípio deverá ser inaugurado dia 10 de Abril.

Agora, adivinhem quem colaborou na construção deste monumento? Um artista pós-moderno? Um escultor das andanças burguesas das noites de Nova Iorque e das capitais da cultura europeia?

Não. Foi o Grupo Mansudae da Coreia do Norte.

Um acto de solidariedade fala mais alto que mil politólogos e economistas liberais.