O Sócrates candidato a primeiro-ministro apresentou-se às câmaras com o novo-riquismo que parte da classe média ostenta e aprecia. Os gestos afectados e a voz anasalada com que proferia os discursos de lugares-comuns dos candidatos "socialistas" encantava as câmaras e o povo português que não esteve muito virado para pensar lá aceitou o fulano de serviço, que até tinha boa imagem.
Ora, o grande problema na política, é que a imagem ou é um reflexo das ideias motrizes ou uma frágil máscara que racha à mínima perturbação. E de percalço em percalço, a imagem de Sócrates tornou-se apenas mais uma nota do requiem da sua legislatura.
Mas como a democracia burguesa é uma próspera fábrica de hipocrisias eis que nos põem na bandeja Pedro Passos Coelho, trazendo consigo todo o aspecto da velha aristocracia que se digna a sair dos salões para "fazer política".
Como não se espera nenhum assomo de espírito crítico ao eleitorado, deve ser esta criatura que teremos de aturar após Sócrates e testemunhar o estilo "sangue azul" de Passos Coelho tornar-se mais um prego no caixão da sua carreira de futuro primeiro-ministro após ele desfazer o que resta de Abril e tornar Lei escrita a selvajaria que o Capital já faz reinar em tantos domínios da nossa vida.

