quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Afirmação política


«(...) Não só não sou moderado como também tentarei nunca o ser(...). Um profundo erro (...) é o de acreditar que da moderação ou do «moderado Egoísmo» é que saem invenções grandiosas ou obras-primas da arte. Para toda a grande obra é preciso paixão, e para a Revolução precisa-se de paixão e audácia em grandes doses, coisas que os homens têm quando formam um conjunto. (...)»

-Che Guevara

retirado do Há Sempre Alguém.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O Exército Vermelho foi um defensor incansável dos povos



Enquanto que no Afeganistão vemos um governo marioneta a permitir o massacre do seu próprio povo pelo Imperialismo da Nato, a entrada das tropas soviéticas no Afeganistão nos anos 80 queriam ajudar o governo de Najbullah a manter as conquistas sociais para os trabalhadores e os direitos das mulheres, tão agredidas na sua dignidade e liberdades pelos Talibãs, fundamentalitas islâmicos financiados pelos EUA.

A presença do Exército Vermelho na Europa de Leste ajudava à manutenção e construção do socialismo neste antigo bloco, impedindo o Imperialismo de colonizar estes povos europeus, o que mais tarde veio a acontecer com a queda da URSS. Não fora o Exército Vermelho e a coligação solidária com os Partisans deste país e não teria o Nazismo sido derrotado.

Em África e na Ásia o Exército Vermelho não abandonava os povos em busca de libertação do colonialismo capitalista e juntamente com o KGB formou quadros militares que foram essenciais às frentes de libertação destas pátrias oprimidas.

O Exército Vermelho, símbolo maior da grandeza militar e ideológica da URSS, não tratou os povos como mercadoria prestes a ser recolhida pela Burguesia, antes ajudou-os na sua libertação e conquista de dignidade.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Que faça neve em Agosto!


O primeiro-ministro Gordon Brown, que a olhar para a paisagem política britânica não o deverá ser por muito mais tempo, «defende a criação» de dez milhões de empregos na União Europeia até 2014, como parte do plano de recuperação económica mundial.

Estes episódios de voluntarismo político, seguramente cheios de boa vontade, em nada resolvem os problemas que afectam os trabalhadores. Vejamos, como é que Brown quer criar estes 10 milhões de emprego? Com mais empresas de serviços? Como se a economia europeia não estivesse já lotada com o sector terciário? Com mais sector industrial? Mas que iriam os nossos governantes fazer? Ir de porta em porta às mansões dos CEO a pedir que transferissem as suas fábricas no terceiro mundo onde pagam misérias aos trabalhadores e zero de impostos, para a Europa, onde seriam obrigados a pagar mais aos assalariados e pelo menos a garantir um mínimo de condições de segurança no local de trabalho? Ou iriam criar empregos nas pescas e na agricultura? Mas para a Burguesia será mesmo lucrativo deixar de ter os camponeses do primeiro e terceiro mundo a competirem uns contra os outros, mal garantindo rendimentos sustentáveis?

Como então?

O mais provável é continuarmos na linha das "criatividades financeiras". Do "desenvolvimento" económico à base da especulação e na mão dos accionistas, à espera de ser implodido por qualquer "rebentar" de bolha e crise bolsista.

Por muito honesta e bem intencionada que seja a promessa do PM inglês e seus correligionários, a vontade política por si só nada resolve, é como pedir que faça neve em Agosto.

O problema para o emprego encontra-se na crítica marxista-leninista ao capitalismo e à apresentação das suas soluções:

«Na sociedade capitalista, o trabalho é um assunto pessoal. Quando o proletário é contratado por um capitalista para trabalhar em proveito deste, a sua única preocupação é obter meios de subsistência. Quer trabalhe ou não, é um problema pessoal seu, que no fundo não interessa à sociedade, mesmo que o número de desempregados, por exemplo, atinja um número tal, como hoje sucede em todo o mundo capitalista mas só no mundo capitalista, que a sua existência põe em perigo toda a vida económica do país. Na sociedade socialista, pelo contrário, o trabalho de cada cidadão reveste desde o princípio a forma de trabalho social e é considerado como um assunto público».

- O Socialismo e o Comunismo Científicos, por Leonid Minaev, Edições Avante.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A União Europeia burguesa constrói a sociedade orwelliana


Boas notícias para as empresas de segurança, vigilância e tecnologia. Más notícias para os antropólogos, sociólogos e psicólogos.

De modo a proteger-nos da "ameaça terrorista", a União Europeia está a envidar esforços para registar e identificar (o mais rápido possível) os comportamentos individuais em locais com largas concentrações de pessoas. Este enorme projecto de "liberdade" do Capital chama-se Detecção Automática de Comportamento Anormal e Ameaças em Espaços Povoados, cuja sigla inglesa é ADABTS.

De acordo com um membro de um instituto "independente" de pesquisa holandês (Defesa e Segurança TNO), com este projecto quer-se monitorizar «todo o comportamento desviante», de modo a utilizar mais eficazmente toda a rede de video-vigilância que se têm vindo a ser instaladas desde os ataques "terroristas" em Nova Iorque, Madrid e Londres.

Nas palavras do próprio jornalista que escreveu o artigo, "seria muito mais fácil se as câmaras pudessem determinar por elas mesmas o que era suspeito e mostrar automaticamente somente essas imagems às pessoas na sala de controlo".

O modo de detecção dos "comportamentos desviantes" deverá ser feita através de um software com informação baseada nos conhecimentos e testemunhos dos seguranças habituados a vigiar as multidões.

«O ADABTS não é só focado no terrorismo, mas também no crime e motins», já que as câmaras no futuro poderão detectar movimentos bruscos dos braços, gritos ou o som de um vidro a partir-se.

Porém, o frenesim securitário não se limita à mera video-vigilância. Encontra-se em projecto, a utilização de câmaras termais, que poderão verificar a temperatura e o ritmo cardíaco das pessoas no seu campo de visão para denotar algum tipo de comportamento nervoso que possa indiciar futura acção suspeita. Um nariz frio ou um um bater de coração entrópico pode ser o suficiente para que as forças de autoridade carguem contra um indivíduo. O que impede até agora a utilização em massa deste tipo de vigilância é o seu alto preço, mas com o futuro elas «estão destinadas a ficar mais baratas».

Antecipando o criticismo à implantação de um campo de concentração tecnológico por todo o território europeu, a UE já criou com fundos próprios o HIDE, «Homeland Security, Biometric Identification & Personal Detection Ethichs», para estudar e prever a recepção da sociedade ao securitarismo galopante.

Uma das previsões do HIDE é que a consciência colectiva de uma vigilância omnipresente poderá levar à formatação massiva do comportamento. Com medo de que possam ser considerados suspeitos, os indivíduos poderão comportar-se todos da mesma maneira.

Curioso ver que como aqueles que celebraram a queda da URSS e do bloco de leste por acreditarem ser sociedades de pensamento único e sem liberdade, são os mesmos que não hesitam em promover e participar na criação de uma sociedade vigiada, um fascismo que nos entra pela vida dentro através das mais recentes "maravilhas" tecnológicas.

Por agora, a apatia geral impede os povos de se consciencializarem dos crescentes ataques da burguesia aos seus direitos como trabalhadores e cidadãos, mas à medida que a crise actual se pode desvelar como uma antecâmara de um capitalismo moribundo é importante lembrar Lenine: «O Fascismo é Capitalismo em decadência».

- retirado daqui.

Gestão empresarial: um novo modelo de fascismo

Imagem- Trabalhadores do Banglandesh a sofrerem a repressão da polícia burguesa.

«As histórias que ficámos a saber sobre a France Telecom nos últimos dias são terríveis: trabalhadores obrigados a mudar constantemente de posto e de funções contra sua vontade em nome da “flexibilidade”; a quem são impostos objectivos irrealistas e que são penalizados por não os atingir; destruição sistemática de equipas de trabalho e do espírito de equipa em nome da “adaptabilidade”; empregados que se vão buscar à casa de banho porque ultrapassaram os dez minutos da pausa-chichi; esquemas de “auto-avaliação” que apenas servem para intimidar os trabalhadores e para os obrigar a reconhecer que falharam e a aceitar penalizações; total ausência de discussão ou sequer de explicação dos objectivos da empresa, sempre impostos de cima; pessoas mantidas isoladas por medidas de “mobilidade” que destroem as relações pessoais entre trabalhadores; obrigadas a competir com os colegas para evitar a “redundância” e o despedimento; com medo da delação dos colegas e das punições dos capatazes, desconfiadas.


As histórias falam de medo, de isolamento, humilhação, perda de auto-estima, de sentido e de identidade, falam de morte. E, no entanto, repito, nada disto é novo, nada disto é diferente. Cada vez mais as empresas se parecem mais com isto, cada vez mais este discurso da competitividade desumana ganha direito de cidade, cada vez mais o stress e o burnout se consideram como o preço justo a pagar pelos elos mais fracos da cadeia, cada vez mais o discurso da “aposta no capital humano”, da “promoção da criatividade” e da “prioridade à inovação” esconde uma prática esclavagista, desumana, repressiva, atentatória dos direitos, da liberdade e do espírito humano. Cada vez mais as empresas são exemplo de uma prática ditatorial, esmagadora das liberdades, da crítica, da expressão e dos indivíduos que, se acontecesse cá fora, na rua, no espaço público, todos julgaríamos inaceitáveis. Dentro da empresa, em nome da competitividade ou por medo do desemprego, aceitamos o fascismo.
»


- texto por José Vítor Malheiros, retirado daqui.

sábado, 24 de outubro de 2009

Sobre o pacto germano-soviético

«Entretanto, Estaline, que na falta de alternativa, cultivou conscientemente a amizade dos ocidentais, não perde a oportunidade. Ficou certamente ressentido com os acordos de Munique, mas, logo que estes ficaram ultrapassados pela invasão da Checoslováquia, retoma a postura anterior e propõe aos países que rodeiam a Alemanha "uma grande aliança" defensiva. Uma vez mais, a Inglaterra vai reagir com frieza, impedindo que a França lhe tome a dianteira.»

- p.170, O Livro Negro do Capitalismo, Campo das Letras

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sugestão


E que tal, para aumentar e nivelar por cima o nosso ranking de escolas, privatizá-las e entregar a capacidade de acesso dos candidatos a estudantes às direcções e administrações destas futuras empresas.

Assim, garantindo que só os meninos-bem, as meninas do papá e uns escassos e afortunados membros de uma qualquer minoria étnica teriam educação, as nossas estatísticas bateriam qualquer país. Era só de quinzes para cima. Se nos esforçarmos muito, até conseguiriamos ignorar a iliteracia e a ignorância semeadas por entre as massas.

Mas aí está, porque é que um aspirante a pedreiro tem de saber sobre História, um futuro caixa de supermercado sobre Física ou um varredor de ruas sobre Filosofia.

De acordo com as luminosas mentes dos profetas e campeões do Mercado Livre, a única coisa que um assalariado tem de saber é de sorrir, satisfazer o cliente e obedecer ao patrão.

Meti nojo? Pois é exactamente isto que vai na cabeça dos apologistas do Capitalismo, dos anti-comunistas e dos que afirmam que o Socialismo não é alternativa. Dos Sócrates, dos Belmiros, das Ferreiras Leite, dos Amorins, dos Portas, dos Granadeiros, dos Louçãs, dos De Mellos e dos Van Zellers.