sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Howard Zinn (1922-2010)
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Revisão do livro: «A Crise do Islão»
Na Europa existem muitas nações e a mesma religião (cristianismo), no Médio Oriente existe uma religião (Islão) e várias nações. Este é o raciocínio base que o autor nos oferece para percebermos os jogos geopolíticos da região.
Com a queda do Império Romano, o Médio Oriente tornou-se um espaço vazio de civilização até que no século VII Maomé iniciou a caminhada do Islão como farol ideológico da região. A Arábia Saudita foi o primeiro país declaradamente islâmico (conquistado e convertido pelo próprio Maomé) e desde então, a implementação do Islamismo pelo Médio Oriente levou à necessidade de criar um aparato político supra-nacional, com ligação directa aos termos do Islão e à partilha colectiva desta condição dos vários países. Até à queda do Império Turco-Otomano, havia um califa, um chefe supremo de todos os líderes islâmicos, personificado na soberania do imperador otomano.
A queda deste Império em 1918, com a sua derrota na 1ª Guerra Mundial, esvaziou de novo o Médio Oriente do aparato político criado e tornou o Islão uma religião/ideologia "descristalizada" de poder político, permanecendo nas mesquitas, madrassas e círculos intelectuais durante larga parte do século XX, onde repousou e se actualizou, mostrando hoje em diversas facções políticas, o wahabbismo que o caracteriza.
Mas até o Islão se tornar de novo uma força dominante, um novo factor ideológico redefiniu o Médio Oriente a nível político.
A divisão do antigo território Turco-Otomano em duas áreas administradas pela Inglaterra e França introduziu o Estado-nação, um conceito europeu, na discurso e prática política do mundo árabe. Numa perspectiva dialéctiva, foi esta intervenção europeia que originou os movimentos seculares de esquerda marxista que mais tarde iniciaram e lideraram os processos de descolonização no Médio Oriente.
Apesar do secularismo que o caracterizara, a imagem-mito do Califa, como líder da população islâmica permaneceu, desta vez com a consagração de Nasser, figura que quis edificar o socialismo pan-árabe no Egipto e na Síria. Também Kadhafi e até Saddam assumiram em certa altura o papel de figura providencial e salvífica do Médio Oriente.
Para compreender a complexidade da relação do movimento secular árabe com a sociedade islâmica onde se inserem, preste-se atenção à participação do Partido Comunista Libanês num festival de homenagem a Saddam Hussein, que entre muitos outros crimes, massacrou comunistas iraquianos.
Bernard Lewis afirma que o falhanço de implementação dos dois modelos políticos dominantes na Guerra Fria foi um dos factores fulcrais para o ressurgimento do islamismo, sem que tenha desenvolvido de forma satisfatória as intervenções estado-unidenses no Médio Oriente e realçando em demasia as da União Soviética, adjectivando-as de imediato num tom negativo.
Um dos aspectos positivos do livro é que se percebe facilmente onde está o facto e a opinião do autor e a forma como a sua tendência ideológica determina a importância dada a certas processos históricos.
O livro termina com uma "mensagem de esperança" do autor, que a invasão militar do Afeganistão e do Iraque possa ser um novo começo para a região, tendo por modelo a democracia liberal capitalista, dominante no Ocidente. Escaapa a Bernard Lewis que o presente de colonização económica dos recursos e mão-de-obra do Médio-Oriente impossibilita a «construção de nações», seja em que modelo for.
O livro falha também em explicar as raízes do crescimento do Islamismo e a sua posição na região como um movimento político de resistência ao Imperialismo, impedindo a construção por via externa de um Estado-nação, quando este próprio está em crise no Ocidente.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
O que o «outro» legitima
A principal contribuição do 11 de Setembro para a consciência colectiva da população ocidental é o ter dado uma identidade física e cultural ao «terrorista».O «terrorista» é um conceito que surge da acção, de uma prática, aterrorizar, e o que vem sendo repetido desde os ataques ao 11 de Setembro é a conotação dessa acção a um «outro», cuja diferença do «nós» padronizado faz-se a nível cultural, local de origem e até no físico.
A comunicação social fez-nos ver um possível Bin Laden em cada árabe. O facto de se realçar o «outro» como «diferente» de «nós» legitimou todas as acções levadas a cabo para atacar a «ameaça». Aquilo que reconhecemos como sendo completamente oposto ao nosso sistema de valores e direitos, de repente, passa a ser legítimo quando aplicado ao «outro».
Se como colectivo social, ficássemos a saber que corremos o risco de ser perseguidos, encarcerados e torturados pelo exército ou por uma qualquer força de autoridade, não demoraria até que as ruas se enchessem de protestos, os governos caíssem e os perpetradores destes actos conhecessem a justiça popular.
É porque ideologizamos os árabes como o nosso «oposto» que aceitamos e incentivamos a prática destas políticas. Como «eles» não são como «nós» e «eles» aterrorizam enquanto «nós» somos aterrorizados, é natural que assim aconteça. O ataque aos direitos pessoais e colectivos só lhes afecta a «eles», a «nós» isso nunca se sucederá.
Desumanizando e demonizando um grupo e ideologizando-o como o «outro», com o qual nos relacionamos de forma maniqueísta, estandardizamos a leitura de todos os eventos que possam estar relacionados com cada um destes actores ou temas. Mesmo que nos afecte, como o constante avanço da vigilância electrónica, aceitamos, por estar legitimado sob a narrativa do «combate ao terrorismo».
Na França, vai-se legislar sobre a proibição do uso da burqa integral em espaços públicos, violentando um princípio de liberdade pessoal tão básico como o que um indivíduo pode vestir ou não.
Sabe-se que se esta lei atenta contra um direito individual, mas como afecta mais a «eles» que a «nós», achamos natural. Está de acordo com o espírito do tempo. Mesmo que a proibição seja em solo europeu, em cidadãos europeus.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Da pátria da "Democracia"...
A maior alteração das leis eleitorais nos EUA em meio século, justificou-se com a «liberdade de expressão», consequentemente o líder da bancada republicana na Câmara dos Representantes reclamou «uma vitória dos princípios constitucionais» e causou consternação a Obama. Um inquérito feito, mostra que 77% dos homens de negócios não acha que o actual presidente é suficientemente adepto da «livre empresa».
O poder do dinheiro na "democracia" estado-unidense pôde ver-se de igual modo com o aumento de dinheiro gasto pelo sector bancário para fazer lobby aos representantes políticos dos EUA. Os «oito maiores bancos» gastaram 18 milhões de dólares em 2009 para «influenciar decisões políticas», especialmente as ligadas às que limitavam e fiscalizavam «as instituições financeiras».
Luís Cabral, economista português sediado nos EUA, afirma que nos últimos anos se tem assistido à «captura do poder político pelo sistema financeiro».
O Estado Burguês em todo o seu esplendor.
Apontamentos sobre o Haiti
O terramoto que se abateu sobre o Haiti tornou trágica a situação de um país miserável, o mais pobre do hemisfério norte.
O que se seguiu já faz parte do folclore dos cataclismos naturais, mediatização frenética, a adopção de linguagem apocalíptica, todo um desfile de doações e actos de caridade, desde as celebridades até ao comum cidadão.
Até agora o facto mais controverso tem sido o envio de 15 mil militares estado-unidenses para "garantir a tranquilidade" em Port-au-Prince. As fontes são dissonantes. Se há quem diga que desastre natural estalou a anarquia na capital haitiana e que os seus naturais estão à espera da vinda salvífica das forças armadas dos EUA, há também quem garanta que não há problemas de segurança e que a "ajuda" estado-unidense é em demasia.
No meu ver, compreendendo a necessidade do reforço da autoridade em tempos em que o Estado nacional do Haiti simplesmente deixou de desaparecer, não deixo de acreditar que este envio de militares está intimamente ligado com o pedido de George W. Bush para que os seus concidadãos não façam doação de bens essenciais, mas de "dinheiro", assegurando o ex-presidente que eles «cuidariam» dele.
Aquando do Tsunami no Sudeste Asiático, o governo do Sri Lanka aproveitou o estado de choque geral da população para implementar um «impopular» programa de privatizações, rejeitado em referendo pela população oito meses antes do tsunami, que incluia a entrega a privados da água e da electricidade. Assistiu-se de igual modo à privatização de praias na Tailândia.
Será que voltaremos a ver o mesmo modos operandi no Haiti?
Politicamente, o Haiti sempre foi um colonato dos EUA, "Papa Doc" Duvalier, um feroz ditador anti-comunista e o seu filho, dispuseram o país à burguesia americana e à oligarquia local. Das últimas vezes que os EUA meteram o bedelho no Haiti foi com Duvalier filho, um programa de reestruturação da economia, orientada para a indústria de exportação e transporte de excedentes agrícolas estado-unidenses para o Haiti, concentrou as populações nos grandes centros urbanos, onde passou a haver mais mão-de-obra do que emprego, e aniquilou a agricultura local. Escusado será dizer que esta reestruturação económica não resultou em nada e o Haiti continuou miserável.
O fim da ditadura levou à eleição de Jean-Bertrand Aristide, que quis formar uma economia baseada em parcerias público-privadas, que beneficiaram o povo haitiano, não deixando de lado os interesses privados. Até o reformista Aristide, Washington não conseguiu aguentar e depô-lo em 1991 e 2004.
Do regime saído do golpe de estado de 2004, seguiu-se a prisão de «milhares de organizadores comunitários, civis pobres e dissidentes políticos que os EUA/ONG» etiquetam como «gangsters». A proibição do partido maioritário no Haiti em participar nas eleições é outro "pormenor" da "democracia" pró-americana de René Preval.
René Preval, que não aceitou a ajuda militar da República Dominicana mas saltou de pulos com a estado-unidense, lidera um país que longe de ser pobre e sem recursos, tem reservas de ouro, irídio, cobre, urânio, diamantes, reservas de gás e até petróleo. Todos eles tomados por privados, de que se desconhecem os nomes.
Neste caso pode-se dizer que o ladrão não volta ao local do crime, mas repete os mesmos procedimentos. Vamos ver para que servem as "ajudas militares"...
Quando o Arrastão acerta...
«Por causa de conversas no Facebook a TAP resolveu enviar nove pilotos da empresa para um “curso de ética” sem que um processo disciplinar tivesse ainda tido lugar. O sindicato garante que os comentários destes funcionários “não constituíram a violação de qualquer dever laboral”.«Durante o último século tememos a omnipresença do Estado. Que vigiaria cada um dos nossos passos e trataria da nossa reeducação de cada vez que nos desviássemos do caminho certo. E boas razões tivemos para os nossos temores. As tiranias, muito dadas a eufemismos que escondam a banalidade da repressão, deram e dão e às seus prisões o bondoso nome de “campos de reeducação”.
No próximo século o Big Brother será outro. É na empresa que se decidem todos os pormenores das nossas vidas: as horas que nos restam para viver, se podemos ou não ter filhos, a roupa que vestimos, as opiniões que podemos ter. E também elas trataram dos seus eufemismos. Os trabalhadores são colaboradores. Um despedimento é uma dispensa de serviços. Vários despedimentos são uma reestruturação. Uma punição é um “curso de ética”. Em inglês soa melhor: “corporate crew resource management”, disse fonte oficial da TAP à Lusa. O 1984 e a sua novilíngua aí estão. Em 2010.»
- retirado do arrastao.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Graças a Deus...
O Google por exemplo, "só" nos guarda as buscas por 18 meses e empresta-nos sem permissão os cookies.
Uns simpáticos...
