sábado, 28 de novembro de 2009

Eslovénia em crise


28 de Novembro foi dia de alta contestação social na Eslovénia, «a república mais rica da ex-Jugoslávia».

Com 2 milhões de cidadãos, a Eslovénia está a braços com mais de 9% de desempregados, 17 mil pessoas a receber o salário mínimo de 431 euros e 150 mil trabalhadores com um salário de 500 euros mensais, esta antiga pátria socialista está numa crise profunda. A economia contraiu mais de 8% e as ajudas do Estado representam 2,34% do PIB, o capitalismo está a afundar as condições de vida da classe trabalhadora eslovena.

Nos protestos, exigia-se «um aumento de 31% no salário mínimo, para os 600 euros, e o fim do projecto de aumentar a idade da reforma para os 65 anos. Actualmente os limites são de 63 anos para os homens e 61 para as mulheres».

No meio da manifestação, um trabalhador afirmou peremptoriamente «se não conseguimos o que queremos por meios pacíficos, alguém vai ter de fazer uma revolução a sério. Espero que não seja preciso e que a razão prevaleça».

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Razão à força de pontapés


Após o exercício massivo de "wishful thinking" que as nossas elites políticas e económicas têm vindo a fazer nos últimos tempos, cantando como um coro sincronizado que a crise estava a passar, apesar do desemprego crescente e dos encerramentos de empresas, eis que os nossos "mestres" começam a abrir os olhos.

O Dubai, um país do Médio Oriente, com desenvolvimento faraónico propalado pelo dinheiro petrolífero vem anunciar que tem entre mãos uma séria crise de dívidas, tendo já avançado uma moratória para atrasar seis meses o pagamento destas, que equivale a 3,5 mil milhões de euros.

Na França, a ministra da economia veio admitir que a crise ainda não passou já que o desemprego se aproxima perigosamente dos 10%.

O desemprego em que milhões de pessoas têm vindo a ser mergulhadas tem vindo a ser negligenciado pelos "peritos" em economia, olhando para a deflação e inflação como únicos indicadores da "regulação do mercado".

Já no campo da cegueira ideológica, é notável olhar para o artigo do "The Economist" sobre a Espanha, que lhe apelida de «o novo doente da Europa». Esta revista pró-mercado livre refere que o seu sistema laboral espanhol é «ineficaz e injusto», devido à "improdutividade" trazida pelos altos custos de despedimento de trabalhadores com contrato indefinido. Entre outras pérolas, contam-se frases-chavão como «os trabalhadores incompetentes com contratos indefinidos estão protegidos» e que as reformas laborais que tornem mais barato o despedimento foi posto de parte para «agradar os sindicatos».

Não se apercebem estes economistas que foi a sua cegueira e idealismos que levou à crise generalizada entre os trabalhadores. Quanto maior for a soberba, mais frágil será derrubar o seu pensamento caduco.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Este país precisa...

De gente de consciência, de espírito, de reivindicação. Que sinta no coração os golpes feitos ao povo e à democracia. Dos que não aceitam levianamente os Freeports, as escutas, «as sucatas» e os BPN's. Dos que se revoltam contra a arrogância dos grandes e que não tome a «lei dos vencedores». Dos que se enojam contra a opressão aos fracos, aos "ninguéms" que constroem a riqueza de que usufruímos, exército anónimo do trabalho, condenados a uma vida sem futuro, nem dignidade. Precisamos dos que têm a coragem para apontar o dedo a quem rapina o país e marchar contra eles.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A emergência da Ásia

Excelente artigo no Rebelion sobre a industrialização da Ásia, actual impulsionador da economia mundial, o que é verdade e o que é mito. Quem se entreter a ler a totalidade do texto repara que foi o Estado dos países asiáticos emergentes o principal actor da sua industrialização, nunca tendo o Mercado atingido a auto-regulação que tanto apregoa, pois no país em que realmente assumiu o controlo total da economia, as Filipinas, os resultados foram de uma financeirização galopante e resultados desastrosos para a indústria local. Aparte a aclamação do reformista Keynes, é de salientar as informações prestadas neste documento.

«Superar o neoliberalismo, em definitivo, implica ir mais além dos números que frequentemente actuam como um sudário da realidade, para além do cientificismo com que se mascara a si mesmo como ciência».

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O liberal amor pela democracia

A mim não me surpreende de todo, embora há quem possa achar estranho. O presidente golpista hondurenho, Michelletti, foi eleito vice-presidente da Internacional Liberal.

Micheletti, a figura-mor de um golpe de estado organizado pela burguesia hondurenha e estrangeira e levado a cabo pela oligarquia militar deste país, com o intento de derrubar um governo democraticamente eleito e o seu presidente Zelaya.

Lembremo-nos que Zelaya fez um referendo, que caso fosse aprovado, levaria à realização de outro referendo que punha em questão a criação de uma futura assembleia constituinte para a extensão do mandato presidencial de um para dois.

A burguesia, com medo daquilo que eles chamam «chavismo», «esquerdismo» e «socialismo» instauraram um regime ditatorial que reprimiu e matou os que tiveram a coragem subversiva, fechou as redacções contrárias aos desígnios "democráticos" do Partido Liberal e meteu na gaveta a liberdade de expressão.

A Internacional Liberal, liderada pelo holandês Van Baalen, acaba então de nomear Micheletti pela sua «coragem» e parabenizá-lo por tomar as rédeas do próximo acto eleitoral hondurenho a 29 de Novembro, que fede a farsa.

Van Baalen, para legitimar-se e à sua organização disse à imprensa que conta entre as suas fileiras, o Partido Liberal inglês e alemão e o Partido Democrata estado-unidense. Alguém está surpreendido?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009


-Ban Ki Moon num congresso sobre fome e desnutrição, referindo-se às mortes que esta causa entre as crianças.

sábado, 14 de novembro de 2009


O Presidente do Supremo Tribunal mandou destruir as escutas onde Sócrates estava envolvido.

Noronha Nascimento levou a cabo tal acção depois de ter ouvido informações complementares sobre o assunto e após os protestos do primeiro-ministro «perante a pressão mediática».

Depois do Freeport e das escutas ao PR, já é o terceiro escândalo em que o nosso primeiro-ministro se envolve, desta vez às custas do BCP, instituição de excelência da propriedade privada em Portugal.


Agora vamos todos:
Só com a burguesia
é que se tem democracia!