
Foi hoje a referendo na Suíça
a proibição de construção de minaretes no território deste país.
O «Sim» a esta proposta venceu com 57% dos votos, impossibilitando deste modo a edificação das torres que chamam os "fiéis" muçulmanos para a oração nas futuras mesquitas a existir na Suíça.
Levado a cabo pelo Partido Popular da Suíça, a formação direitista acredita que esta é
a primeira paragem à instalação da Sharia na Europa, num país em que habitam 400 mil muçulmanos, maioritariamente provindos das antigas repúblicas da pátria socialista joguslava.
O
imaginário de povo e nação, amadurecido com o surgimento do Estado-Nação,
é um espaço de discussão difuso que muita das vezes deturpa o papel principal das massas laboriosas na História e Presente da nação. O nacionalismo pega na aclamação desbocada do "povo" para o posicionar como um "
sujeito"
de um sistema, muitas das vezes
ao serviço de senhores.
O actual
afã nacionalista, de conteúdo reaccionário e xenófobo, quer
dividir os povos da Europa, cada vez mais miscigenados, quer
cristalizando uma população branca e cristã como símbolo do povo nativo, identificando-a com a burguesia dominante, quer
guetificando as consciências das classes mais pobres e dos imigrantes, dividindo cultural e identitariamente a classe trabalhadora, construtora da riqueza de qualquer país.
Este nacionalismo partilhado nos vários países europeus
visa de igual modo
legitimar a islamofobia e o ataque a todos os que possam ser apelidados de "terroristas", objectivo central do Imperialismo actual.
Apesar do referendo se ter realizado na Suíça, é este
medo comum da ameaça exterior, filha directa do
anti-comunismo do século XX, que
levou o fascista Brittish National Party ao Parlamento Europeu e a dominação da extrema-direita na Áustria.
Com a queda do Muro de Berlim, o Ocidente capitalista quis
anestesiar os povos vindos do socialismo da mesma maneira que o fez com a classe trabalhadora estado-unidense, através de
sentimentos nacionalistas ferozes, com nações que nunca conheceram a existência histórica, como os
países do báltico e o
Kosovo. A criação de
repúblicas ideologicamente viradas à direita, cujo
sistema partidário é dominado pelo pensamento liberal, foi o
truque do Imperialismo para obstaculizar a luta popular nestes povos pelas décadas que ainda virão.
O atentado que ontem causou
dezenas de mortes num descarrilamento de um comboio na Rússia é a prova de que
o nacionalismo criou metásteses na classe trabalhadora e a
luta por um ideal fixo e xenófobo de nação está já legitimado em território russo.
A expansão do ideal nacionalista e a sua prática com a «
fortaleza europa» e a contínua referência à «
questão da imigração» é uma
enorme pedra no sapato na luta por uma sociedade mais justa e fraterna, contudo, com muita perseverança,
os "prides" e os "powers" que o Capital andou a semear por essa Europa fora serão atirados janela fora pelos trabalhadores e os
grandes ideais de justiça de Marx serão reabilitados, por ser essa a única solução para um mundo inteiro sem explorados e exploradores.