terça-feira, 1 de dezembro de 2009

«a lei não fiz e o mundo não aceito...»

A 1 de Dezembro de 2009 começou um novo ciclo na Europa e que terá repercussões muito fora deste continente.

A entrada em vigor do Tratado de Lisboa é um marco central nas etapas de perda de soberania nacional que o país tem vindo a percorrer às custas da União Europeia. Esta situação que se estende a todos os países-membros da UE, vem prejudicar em especial as nações mais "fracas", pobres, menos populosas.

Como aqui já foi referido, o processo federalista da UE tem-se cimentado com o crescimento de um aparelho de monitorização da vida civil, a informatização dos dados pessoais dos cidadãos e a formação de um corpo europeu armado, para actuar fora e até dentro do território da União.

Com o Tratado de Lisboa é institucionalizado um novo instrumento de inutilização do poder democrático nacional, o regime de maioria qualificada.

O regime de maioria qualificada que obriga as decisões a serem feitas com o consentimento da maioria da população europeia, vai lesar os interesses da grande maioria dos países, já que o grosso da população europeia encontra-se nos países mais ricos.

Para muitos países, nos quais se inclui Portugal, mas também a Grécia e os países de leste, é o início de uma existência histórica de periferia e de constante maniatar da sua acção política pelos mais ricos. Não é a história natural do Homem. É a história natural da Burguesia.

Já agora, procurem nos media alguma voz que discorde do "belo começo" que o Tratado representa.

domingo, 29 de novembro de 2009

Nacionalismo: o lodo em que o Imperialismo mergulha os povos europeus

Foi hoje a referendo na Suíça a proibição de construção de minaretes no território deste país. O «Sim» a esta proposta venceu com 57% dos votos, impossibilitando deste modo a edificação das torres que chamam os "fiéis" muçulmanos para a oração nas futuras mesquitas a existir na Suíça.

Levado a cabo pelo Partido Popular da Suíça, a formação direitista acredita que esta é a primeira paragem à instalação da Sharia na Europa, num país em que habitam 400 mil muçulmanos, maioritariamente provindos das antigas repúblicas da pátria socialista joguslava.

O imaginário de povo e nação, amadurecido com o surgimento do Estado-Nação, é um espaço de discussão difuso que muita das vezes deturpa o papel principal das massas laboriosas na História e Presente da nação. O nacionalismo pega na aclamação desbocada do "povo" para o posicionar como um "sujeito" de um sistema, muitas das vezes ao serviço de senhores.

O actual afã nacionalista, de conteúdo reaccionário e xenófobo, quer dividir os povos da Europa, cada vez mais miscigenados, quer cristalizando uma população branca e cristã como símbolo do povo nativo, identificando-a com a burguesia dominante, quer guetificando as consciências das classes mais pobres e dos imigrantes, dividindo cultural e identitariamente a classe trabalhadora, construtora da riqueza de qualquer país.

Este nacionalismo partilhado nos vários países europeus visa de igual modo legitimar a islamofobia e o ataque a todos os que possam ser apelidados de "terroristas", objectivo central do Imperialismo actual.

Apesar do referendo se ter realizado na Suíça, é este medo comum da ameaça exterior, filha directa do anti-comunismo do século XX, que levou o fascista Brittish National Party ao Parlamento Europeu e a dominação da extrema-direita na Áustria.

Com a queda do Muro de Berlim, o Ocidente capitalista quis anestesiar os povos vindos do socialismo da mesma maneira que o fez com a classe trabalhadora estado-unidense, através de sentimentos nacionalistas ferozes, com nações que nunca conheceram a existência histórica, como os países do báltico e o Kosovo. A criação de repúblicas ideologicamente viradas à direita, cujo sistema partidário é dominado pelo pensamento liberal, foi o truque do Imperialismo para obstaculizar a luta popular nestes povos pelas décadas que ainda virão.

O atentado que ontem causou dezenas de mortes num descarrilamento de um comboio na Rússia é a prova de que o nacionalismo criou metásteses na classe trabalhadora e a luta por um ideal fixo e xenófobo de nação está já legitimado em território russo.

A expansão do ideal nacionalista e a sua prática com a «fortaleza europa» e a contínua referência à «questão da imigração» é uma enorme pedra no sapato na luta por uma sociedade mais justa e fraterna, contudo, com muita perseverança, os "prides" e os "powers" que o Capital andou a semear por essa Europa fora serão atirados janela fora pelos trabalhadores e os grandes ideais de justiça de Marx serão reabilitados, por ser essa a única solução para um mundo inteiro sem explorados e exploradores.

sábado, 28 de novembro de 2009

Eslovénia em crise


28 de Novembro foi dia de alta contestação social na Eslovénia, «a república mais rica da ex-Jugoslávia».

Com 2 milhões de cidadãos, a Eslovénia está a braços com mais de 9% de desempregados, 17 mil pessoas a receber o salário mínimo de 431 euros e 150 mil trabalhadores com um salário de 500 euros mensais, esta antiga pátria socialista está numa crise profunda. A economia contraiu mais de 8% e as ajudas do Estado representam 2,34% do PIB, o capitalismo está a afundar as condições de vida da classe trabalhadora eslovena.

Nos protestos, exigia-se «um aumento de 31% no salário mínimo, para os 600 euros, e o fim do projecto de aumentar a idade da reforma para os 65 anos. Actualmente os limites são de 63 anos para os homens e 61 para as mulheres».

No meio da manifestação, um trabalhador afirmou peremptoriamente «se não conseguimos o que queremos por meios pacíficos, alguém vai ter de fazer uma revolução a sério. Espero que não seja preciso e que a razão prevaleça».

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Razão à força de pontapés


Após o exercício massivo de "wishful thinking" que as nossas elites políticas e económicas têm vindo a fazer nos últimos tempos, cantando como um coro sincronizado que a crise estava a passar, apesar do desemprego crescente e dos encerramentos de empresas, eis que os nossos "mestres" começam a abrir os olhos.

O Dubai, um país do Médio Oriente, com desenvolvimento faraónico propalado pelo dinheiro petrolífero vem anunciar que tem entre mãos uma séria crise de dívidas, tendo já avançado uma moratória para atrasar seis meses o pagamento destas, que equivale a 3,5 mil milhões de euros.

Na França, a ministra da economia veio admitir que a crise ainda não passou já que o desemprego se aproxima perigosamente dos 10%.

O desemprego em que milhões de pessoas têm vindo a ser mergulhadas tem vindo a ser negligenciado pelos "peritos" em economia, olhando para a deflação e inflação como únicos indicadores da "regulação do mercado".

Já no campo da cegueira ideológica, é notável olhar para o artigo do "The Economist" sobre a Espanha, que lhe apelida de «o novo doente da Europa». Esta revista pró-mercado livre refere que o seu sistema laboral espanhol é «ineficaz e injusto», devido à "improdutividade" trazida pelos altos custos de despedimento de trabalhadores com contrato indefinido. Entre outras pérolas, contam-se frases-chavão como «os trabalhadores incompetentes com contratos indefinidos estão protegidos» e que as reformas laborais que tornem mais barato o despedimento foi posto de parte para «agradar os sindicatos».

Não se apercebem estes economistas que foi a sua cegueira e idealismos que levou à crise generalizada entre os trabalhadores. Quanto maior for a soberba, mais frágil será derrubar o seu pensamento caduco.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Este país precisa...

De gente de consciência, de espírito, de reivindicação. Que sinta no coração os golpes feitos ao povo e à democracia. Dos que não aceitam levianamente os Freeports, as escutas, «as sucatas» e os BPN's. Dos que se revoltam contra a arrogância dos grandes e que não tome a «lei dos vencedores». Dos que se enojam contra a opressão aos fracos, aos "ninguéms" que constroem a riqueza de que usufruímos, exército anónimo do trabalho, condenados a uma vida sem futuro, nem dignidade. Precisamos dos que têm a coragem para apontar o dedo a quem rapina o país e marchar contra eles.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A emergência da Ásia

Excelente artigo no Rebelion sobre a industrialização da Ásia, actual impulsionador da economia mundial, o que é verdade e o que é mito. Quem se entreter a ler a totalidade do texto repara que foi o Estado dos países asiáticos emergentes o principal actor da sua industrialização, nunca tendo o Mercado atingido a auto-regulação que tanto apregoa, pois no país em que realmente assumiu o controlo total da economia, as Filipinas, os resultados foram de uma financeirização galopante e resultados desastrosos para a indústria local. Aparte a aclamação do reformista Keynes, é de salientar as informações prestadas neste documento.

«Superar o neoliberalismo, em definitivo, implica ir mais além dos números que frequentemente actuam como um sudário da realidade, para além do cientificismo com que se mascara a si mesmo como ciência».

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O liberal amor pela democracia

A mim não me surpreende de todo, embora há quem possa achar estranho. O presidente golpista hondurenho, Michelletti, foi eleito vice-presidente da Internacional Liberal.

Micheletti, a figura-mor de um golpe de estado organizado pela burguesia hondurenha e estrangeira e levado a cabo pela oligarquia militar deste país, com o intento de derrubar um governo democraticamente eleito e o seu presidente Zelaya.

Lembremo-nos que Zelaya fez um referendo, que caso fosse aprovado, levaria à realização de outro referendo que punha em questão a criação de uma futura assembleia constituinte para a extensão do mandato presidencial de um para dois.

A burguesia, com medo daquilo que eles chamam «chavismo», «esquerdismo» e «socialismo» instauraram um regime ditatorial que reprimiu e matou os que tiveram a coragem subversiva, fechou as redacções contrárias aos desígnios "democráticos" do Partido Liberal e meteu na gaveta a liberdade de expressão.

A Internacional Liberal, liderada pelo holandês Van Baalen, acaba então de nomear Micheletti pela sua «coragem» e parabenizá-lo por tomar as rédeas do próximo acto eleitoral hondurenho a 29 de Novembro, que fede a farsa.

Van Baalen, para legitimar-se e à sua organização disse à imprensa que conta entre as suas fileiras, o Partido Liberal inglês e alemão e o Partido Democrata estado-unidense. Alguém está surpreendido?