sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Das liberdades da democracia burguesa


Esta é a Segi, um grupo de âmbito político-juvenil em Espanha que apoia a independência do país basco. Quem fizer parte da Segi pode apanhar até 6 anos de prisão.

domingo, 8 de novembro de 2009

Os muros derrubados que se celebram



Amanhã, dia 9 de Novembro, faz 20 anos que o Muro de Defesa Anti-fascista, mais conhecido como Muro de Berlim, caiu, processo simbólico que levou ao fim da RDA e mais tarde do bloco socialista no leste europeu.

As imagens que a televisão passa e os artigos que a imprensa publica mostram multidões efusivas, momentos de festa, um país reunificado e o início daquele que já foi chamado o fim da história.

Dos sentimentos que povoaram os alemães de leste na altura já só resta a desilusão de terem pensado que o pleno emprego se manteria e que os serviços públicos seriam sempre garantidos e acessíveis, a isto junte-se a angústia de ver que apesar do país estar reunificado a discriminação aos ossis (nome dado aos habitantes de leste) é uma realidade que os marca não só em termos sociais mas também na obtenção de emprego e de salários equitativos.

Além da Alemanha, os festejos são promovidos por todo o mundo, facto que não surpreende.

A queda do Muro de Berlim significou o derrube de inúmeras barreiras morais ao Capitalismo. Enquanto as "democracias" capitalistas, em especial as europeias, se viram a competir com o bloco socialista, sempre aclamaram um sistema social de mercado, como se fosse moral e politicamente superior, branqueando-se que muita do combustível dessa economia vinha do terceiro mundo e das colónias africanas e asiáticas.

Sem a RDA e o bloco socialista, a burguesia viu espraiarem-se mil caminhos de liberdades capitalistas.

Desde a queda do Muro de Berlim, as classes mais abastadas têm ficado mais ricas enquanto as mais pobres todos os dias se vêm a afundar mais.

Foi a queda do Muro de Berlim que permitiu a precarização do emprego, a criação dos exércitos de desempregados que os capitalistas tanto precisam e apreciam e os estágios não-renumerados para jovens licenciados.

A queda do Muro de Berlim deu asas ao Capital para criar uma sociedade cada vez mais vigiada, com grande implementação dos sistemas de video-vigilância e monitorização informática dos dados pessoais.

A entrega de milhões de milhões aos bancos e a empresas falidas por más gestões empresariais é outro caminho de liberdade aberto pela queda do Muro.

Desde há 20 anos, a situação da classe trabalhadora na Europa e no Mundo, ou manteve-se na mesma ou piorou, os direitos que nos garantiam ser sagrados foram completamente desbaratados ou esvaziados na sua aplicação.

Têm muito para celebrar as nossas elites, pois desde há 20 anos que lhes pertence o mundo.

sábado, 7 de novembro de 2009

Ulyanov!


"Foi aos operários russos que coube a honra e a alegria de serem os primeiros a desencadear a revolução, quer dizer, a grande guerra, a única guerra justa e legítima, a guerra dos oprimidos contra os opressores.

Só quando os de baixo não querem o que é velho e os de cima não podem continuar como dantes, só então a revolução poerá vencer.

A revolução não pode ser imaginada como um acto único(...) mas como uma rápida sucessão de explosões mais ou menos violentas, alternando com períodos de clama mais ou menos profunda.


Os capitalistas sempre chamaram
liberdade à liberdade de obter lucros para os ricos, à liberdade de os operários morrerem de fome.

Quem não tiver compreendido a necessidade da ditadura de qualquer classe revolucionária para alcançar a vitória não compreendeu nada da história das revoluções ou não quer saber nada desse domínio."


- Vladimir I. Lenine, retirado daqui.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009


«Caminhei para lá do rio até ao Cirque Moderne, para uma das grandes reuniões populares que ocorriam por toda a cidade, cada vez mais numerosas, noite após noite. O pobremente mobilado e obscurecido anfiteatro, iluminado por cinco pequenas luzes presas por um frágil cabo, estava lotado desde as bancadas inclinadas da plateia até ao tecto - soldados, marinheiros, trabalhadores, mulheres, todos a escutar como se as suas vidas dependessem disso. Um soldado falava - da 548ª Divisão, onde e o que quer que isso fosse:

"Camaradas", proclamou, e havia real angústia nos contornos do seu rosto e dos seus gestos desesperados. "Os que estão no topo está sempre a pedir-nos que façamos mais sacríficios, mais sacríficios, enquanto aqueles que tudo têm são deixados em tranquilidade."».

- Dez dias que mudaram o mundo, por John Reed.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009



«Nisto a Revolução Russa apenas confirmou a lição básica de cada grande revolução, a lei do seu ser, que decreta: ou a revolução avança a um ritmo rápido, impetuoso e resoluto, quebra todas as barreiras com uma mão de aço e coloca os seus objectivos cada vez mais alto, ou bem cedo será atirada para trás do seu frágil ponto de partida e suprimida pela contra-revolução.

Ficar quieto, desperdiçar tempo num só momento, contentar-se com o primeiro objectivo que consegue atingir, nunca é possível numa revolução. E aquele que tenta aplicar a sabedoria caseira derivada das batalhas parlamentares entre sapos e ratos para o campo das tácticas revolucionárias apenas mostra deste modo que a psicologia e as leis da existência da revolução são-lhe estranhas e que toda a experiência história é para ele um livro fechado com sete selos.»

- A Revolução Russa, por Rosa Luxemburgo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Mais uma pérola da «mãe da democracia»

Como qualquer boa democracia burguesa, plena de show-off nos actos eleitorais e pouca participação consequente, os EUA estão a viver algo parecido com um mini-momento de suspense à conta de uma sufrágio num «obscuro» e «remoto distrito congressional» do estado nova-iorquino, dado os "peritos" acreditarem serem um período de decisão para a maior força de direita estado-unidense, o Partido Republicano, e a linha ideológica que pretende seguir.

A divisão é tão grande que as forças do nacionalismo mais reaccionário do Partido Republicano estão prontas a apoiar o candidato do Partido Conservador, com representação quase inexistente no panorama político americano, Doug Hoffman em vez da sua própria cabeça de lista, Dede Scovafazza.

Razão? Aparentemente, Scovafazza é a favor do casamento gay, assunto quente em país pseudo-democrático, e apoia os sindicatos.

Quanto a Hoffman, apesar de desconhecer a realidade do distrito a que se candidata, apelidando as preocupações locais da comunidade de «assuntos paroquiais», é a favor da «redução do défice», opõe-se ao «aborto, casamento gay e aos planos de estímulo económico» além de prometer «combate às organizações de esquerda». Tamanha demonstração de apego ao "patriotismo" professado pelas áreas mais abjectas da política estado-unidense valeu-lhe o apoio de figuras como Sarah Palin e o fascista Glen Becker da execrável Fox News.

Sem querer santificar o Partido Democrata nem Scovafazza, que já libertou os eleitores para «transferir o seu voto para o candidato que considerarem mais adequado», é incrível como a «pátria-mãe» da democracia, a defensora-mor da "liberdade" individual, pode assistir a que um candidato que até é capaz de ganhar prometa, qual McCarthy, combater «as organizações de esquerda».

Curiosamente, os generais que levaram a cabo a deposição do presidente Zelaya das Honduras afirmaram fazê-lo com receio do «esquerdismo» expansionista de Chavez.

Ao Partido Republicano, que já foi a força política que elegeu Abraham Lincoln, presidente estado-unidense que não teve medo de enfrentar os poderes esclavagistas e libertar os trabalhadores afro-americanos da escravidão, só lhe desejo, que se não consegue ser um digno representante do povo daquele desgraçado país, que ao menos tenha na sua direcção gente que não disponha da vida dos seus concidadãos para as atirar no campo de batalha e na guerra sangrenta.

-fonte, Público do dia 2 de Novembro.

domingo, 1 de novembro de 2009

Há 92 anos, escreveu-se o primeiro capítulo


Há 92 anos, numa terra que abarcava Moscovo e Vladivostok, das Estepes aos Urais, passando pelo Cáucaso, alargando-se a dois continentes. Um Império de várias línguas, povos e nações.

Uma massa imensa de gente governada pelas necessidades da Burguesia monopolista, os caprichos da família real e a sede de sangue do Imperialismo. Povos inteiros lançados para a miséria enquanto as cortes reais e os grandes proprietários se afogavam em festas, soirées e que tais.

Um desemprego cada vez mais crescente, o abandono dos terrenos agrícolas e o entupimento populacional das cidades onde os operários maquinofacturavam as armas com as quais seriam postos na frente de batalha da Primeira Guerra Mundial, prestes a ser chacinado num joguete burguês de armamento e geopolítica.

Pelo espectro da fome e da guerra, o desespero colectivo perante a constante retirada de dignidade levou à vontade de pôr fim ao domínio dos Senhores, fossem eles reais, feudais, burgueses ou políticos.

Sob o lema «Todo o poder para as Sovietes» e a liderança de Lenine, os trabalhadores das repúblicas do Império Russo acabaram com o domínio burguês, nacionalista e imperialista e escreveram um capítulo que foi semente para as revoluções socialistas e de libertação do mundo inteiro: A Revolução de Outubro de 1917.

Apesar da reacção, sob a batuta de Gorbatchov, Iakóvlev e Ieltsin a nível interno e impelidos pelos EUA e pela NATO, terem derrotado esta enorme vitória da classe trabalhadora soviética, o seu exemplo ainda ressoa na revolução bolivariana e em todos os processos em que os povos não perdoam a arrogância e a rapina da burguesia nacional e internacional.

Ainda que no antigo calendário gregoriano a data de ínicio da Revolução tivesse começado a 25 de Outubro, adaptado para o actual calendário, a data é o 7 de Novembro.

O Portal de Thrasybulos não deixará passar esta data incólume, celebrando este grandioso evento da História da Humanidade durante o mês de Novembro.